Cultura

Uma "cerca" ao Mosteiro pode impedir novas inundações

Há um ano, o Mosteiro de Santa Clara a Velha era alvo de uma primeira inundação. Seguiu-se depois outra no mês de fevereiro. A EDP foi considerada culpada na primeira, mas ainda não pagou.

Por duas vezes, com apenas cerca de um mês a separá-las, que o rio Mondego galgou as margens e entrou com força dentro deste monumento nacional. Os estragos são avultados.

Em entrevista à TSF, Celeste Amaro, diretora regional de Cultura do Centro (DRCC), responsável pelo espaço, fala no possível custo das obras de recuperação do Mosteiro, que devem rondar os 500 mil euros, esclarece que a EDP foi considerada responsável na primeira cheia, embora não tenha ainda assumido qualquer prejuízo, e também refere como têm sido contornadas as dificuldades provocadas pelas inundações.

A responsável indica ainda como a DRCC conseguiu o valor necessário para avançar com o projeto de remodelação.

"Os visitantes têm sido muito compreensivos e até veem ver os estragos que as cheias fizeram", afirma. "Vamos até onde podermos e atacar as frentes principais", como a drenagem dos terrenos e acabar a cerca do Mosteiro.

Para assinalar o ano passado depois da primeira cheia, a DRCC, apresentou em Coimbra o Plano de Recuperação do Mosteiro de Santa Clara a Velha, mas também o livro, "Santa Clara-a-Velha de Coimbra - Singular Mosteiro Mendicante", do investigador Francisco Pato Macedo, sobre a história do Mosteiro de Santa Clara a Velha.

Uma obra que será uma referência para o estudo histórico, cultural e patrimonial do Mosteiro de Santa Clara a Velha. Tem por base a tese de doutoramento de Francisco Pato Macedo. "Foi possível porque acompanhei durante 10 anos a intervenção que o IPAR fez no Mosteiro, e que permitiu resgatá-lo às águas e areias do Mondego".

Mas, a história mostra que as águas do Mondego teimam em voltar. Francisco Pato Macedo construiu o livro com base em dez anos de descobertas, mas não esquece a história desde a fundação até à transferência no século XVII. O motivo da mudança: as cheias. "Toda a questão da água e o problema que sempre existiu no Mosteiro, nomeadamente das cheias, está patente no livro, quer por parte da comunidade que o habitou, quer o momento do abandono, e a recuperação que foi sendo feita pelos diversos restauros".

Restauros que aconteceram na década de 30 do século passado. E a última intervenção de dez anos, que terminou em 2009. O livro de Francisco Pato Macedo é uma viagem pelo Mosteiro muitas vezes inundado de Santa Clara a Velha.

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