Cultura

"O Horizonte" de Teresa Salgueiro

Quatro anos depois de "Mistério", o álbum de estreia em nome próprio, Teresa Salgueiro (a voz que foi dos Madredeus) está de regresso aos discos com "O Horizonte", editado na passada sexta-feira.

O novo álbum de Teresa Salgueiro já está disponível nas lojas desde ontem (com o carimbo TSF) e marca o regresso ao trabalho de estúdio depois de quatro anos de uma intensa atividade em palco.

Assinando a autoria de todas as letras e co-assinando a composição com os músicos que integram a banda que a suporta em palco e em estúdio, Teresa Salgueiro tem em "O Horizonte" um trabalho muito belo, onde a voz de filigrana da cantora é envolvida por sonoridades ora etéreas, ora apelando a outros universos mais terrenos e bem mais associados às realidades dos tempos que se vivem.

Com a bateria, percussão e guitarra de Rui Lobato, o contrabaixo de Óscar Torres e o acordeão de Marlon Valente (um dos novos elementos da banda), Teresa Salgueiro viaja entre as realidades com que nos confrontamos diariamente e os sonhos que muitos de nós temos de um Mundo melhor e mais justo. É o "Desencontro" (que na letra do tema com o mesmo nome nos leva para metáforas onde entra o Amor), a contracenar com a dureza d" "A Cidade", com o captar de de um "Instante" (onde a cidade "fica suspensa no rio, no céu, no azul"), com "A Esperança" (fio condutor de todo o disco), com "O Vento", onde "tamanha é a força do vento e do mar" que nos leva logo de seguida (e no alinhamento deste disco) a "Exodo", uma canção que nos transporta para o drama daqueles que tentam um futuro mais sorridente e menos sombrio, na procura d" "A Luz" numa "aurora esplendorosa (que) principia misteriosa, elabora a maior graça, A Liberdade, de viver e alcançar felicidade". Depois - e continuando pelas palavras que povoam este "O Horizonte" - é o forte cheiro a "Maresia" que nos invade os sentidos e nos leva a olhar o "Céu", "altar de água... onde pousa, de repente, a fina e branca névoa", esta, longínqua de um "Entardecer" (a parte do dia preferida de Teresa Salgueiro) "hora de maior encanto, quando se aconchega a vida e as aves no seu canto ensaiam um louvor de despedida".

Mas este "Entardecer", é antecedido no alinhamento de "O Horizonte" por "Liberdade", uma canção onde se diz que "por entre as sombras, rompe a claridade, a insubmissa chama da verdade".

Em suma, este "O Horizonte", por tudo o que nos oferece no seu todo, é um disco com o qual se perdoam os quatro anos de ausência da voz de Teresa Salgueiro para além dos muitos palcos que, entretanto, pisou.

  COMENTÁRIOS