Cultura

Serões da Pena em Sintra abrem com música de Liszt

O pianista Vasco Dantas abre este sábado o ciclo Serões da Pena, no Palácio Nacional da Pena, em Sintra, nos arredores de Lisboa, com o recital "As peregrinações musicais de Franz Liszt (1811-1886)".

"Para este recital escolhi um repertório que revela variedades musicais do compositor Franz Liszt, incluindo diversas transcrições suas de obras de outros compositores, combinadas com música original da sua autoria. Entre as suas obras originais escolhi os 'Tre Sonetti del Petrarca', três maravilhosas peças escritas durante uma das suas viagens por Itália", explica no programa o pianista.

O pianista, de 24 anos, é licenciado pelo Royal College of Music, de Londres, onde foi aluno de Dmitri Alexeev e Niel Immelman, e iniciará o recital com transcrições de obras de Bach, o "Prelúdio em Fuga", de Schubert, duas canções ('lieder'), e, de Wagner, a cena final de uma da ópera "Tristão e Isolda", para além dos "Tre Sonetti del Petrarca", encerrando a sua prestação com "Rapsódia Espanhola", também de Liszt.

O ciclo dos Serões Musicais no Palácio da Pena aborda "os aspetos mais intimistas da música romântica e contextualiza-a", disse à agência Lusa o seu diretor artístico, o maestro e violetista Massimo Mazzeo.

"O ciclo, como o demonstra o programa de recitais, aborda a música romântica nos seus aspetos mais intimistas, nomeadamente uma vertente instrumental com música pianística", disse Massimo Mazzeo, que destacou o concerto de encerramento, no dia 25, um recital de 'lieder' (canções com acompanhamento de piano) intitulado "Johannes Brahms: a bela Magelone", "que é o género mais intimo e evocativo do romantismo".

O recital é protagonizado pelo barítono Christian Hilz, acompanhado pela pianista Tatiana Korsunskaya, sendo narradora a atriz Lígia Roque.

Os Serões na Pena destacam dois artistas plásticos, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Alfredo Keil, que além de compositor, autor do Hino Nacional e da ópera "Dona Branca", entre outras composições, foi também pintor, fotógrafo e poeta, e residiu em Sintra.

"Os dois concertos centrais do ciclo são dedicados a compositores portugueses ou sobre o ambiente musical que se desenvolveu em Portugal do século XIX", disse Mazzeo, referindo-se ao recital do dia 11, "Bordalo Pinheiro: um mosaico da vida musical de Lisboa", e ao do dia 18 "Alfredo Keil: da pintura à música".

O responsável referiu-se a Bordallo Pinheiro, ceramista e caricaturista, como "homem de cultura em todos os aspetos" e que "foi um grande frequentador de uma vida cultural intensa, e apreciador de um determinado tipo de propostas musicais".

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