Liga dos Campeões

Foi no pé de Vitinho que começou a noite de pesadelo. Benfica perde na Luz

Seferovic marcou o primeiro golo da noite, mas o avançado brasileiro, de penálti, deu início à reviravolta russa. O CSKA acabou por ganhar por 2-1 na Luz.

Sabry, o egípcio das chuteiras coloridas que depois de marcar ao Benfica aterrou na Luz. Lembra-se?

Estávamos em 1999 e o extremo esquerdo congelou o antigo Estádio da Luz com um golo, contribuindo decisivamente para uma vitória do PAOK, 2-1, na segunda eliminatória da Taça UEFA 1999/2000. E vem isto ao caso porque desde esse dia nunca mais ninguém tinha conseguido dar a volta a um resultado desfavorável na Luz numa partida das competições europeias. Até esta terça-feira.

A primeira parte foi aborrecida. Tirando um remate de Grimaldo, voltou a ser titular depois de vários jogos de fora por lesão, que acertou de raspão no poste da baliza de Akinfeev e um susto que Dzagoev pregou a Varela, com um remate a sair rente ao poste, nada de muito relevante aconteceu.

O Benfica teve sempre mais bola, acabou o jogo com 73% de posse contra 27 dos russos, mas o problema foi, sempre, ultrapassar a muralha defensiva do CSKA e incomodar, a sério, o guarda-redes.

O intervalo fez bem às águias e a prová-lo um golo. Aos 50 minutos Seferovic estreou-se a marcar na Liga dos Campeões. Há quatro anos que o suíço não marcava numa competição da UEFA, a última tinha sido pela Real Sociedad ao Lyon. Zivkovic, o melhor em campo do Benfica, cruzou na esquerda e o ponta de lança fez o golo.

Tudo parecia bem e no sítio certo. O Benfica nunca tinha perdido quando fez o primeiro jogo em casa na Liga dos Campeões e os russos já não ganhavam fora de casa há quase três anos (seis derrotas e um empate). Mas havia uma estatística "escondida", que convinha não menosprezar: o CSKA nunca tinha perdido contra o Benfica. Na História.

Os russos subiram no terreno, tentaram pressionar mais em cima e o herói de há muito poucos dias, com um golo que levantou o estádio e deu a vitória contra o Portimonense (2-1) tornou-se em vilão acidental. Na sequência de um canto, após um alívio deficiente da defesa do Benfica, um remate de um jogador do CSKA é desviado pelo braço esquerdo de André Almeida. O árbitro não teve dúvidas e, bem, assinalou penálti. Vitinho encarou Varela e começou aí a embalar o guarda-redes português para uma estreia de pesadelo na Liga dos Campeões.

Passaram oito minutos, estávamos no 71, quando Zhamaletdinov, 20 anos, caminhou no sentido contrário ao do guarda-redes do Benfica. A estreia do russo na Liga milionária não lhe podia ter corrido melhor. Varela esticou-se todo para fazer uma grande defesa e negar o golo a um colega de equipa de Zhamaletdinov, mas a bola sobrou para o avançado que, de carrinho, a empurrou para o fundo das redes.

Nos últimos 20 minutos Rui Vitória apostou tudo, naturalmente, no ataque. Fez entrar Gabriel Barbosa, mas "gol" foi coisa que o brasileiro só conseguiu mesmo na alcunha. "Gabigol" acrescentou pouco à linha avançada, que entretanto já contava com Raul no lugar de um desinspirado Jonas.

O jogo acabou com assobios vindos das bancadas e um tom crítico ao trabalho do árbitro. O treinador disse na "flash-interview" que não esperava "receber cartas amanhã da UEFA" a lamentar, referindo-se a dois eventuais penáltis, um em cada parte, que o juiz não viu. Mas o desencantamento maior de Vitória era mesmo com a derrota: "O resultado não é verdadeiro. Não podemos estar tristes. Quer dizer, podemos pelo resultado, mas fizemos tanta coisa bem..."

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