Mundiais de Atletismo

"Nunca fui um talento. Fui sempre muito trabalhadora"

Palavras da Inês Henriques na TSF. Antes, ao cortar a meta, de voz embargada, a campeã do mundo confessou que ainda lhe parece mentira.

"Foi fantástico. Não consigo descrever em palavras o que estou a sentir. É a recompensa de 25 anos de trabalho".

Instantes depois de conquistar o primeiro título mundial de 50 km marcha em provas femininas, Inês Henriques só queria agradecer. Ao treinador, Jorge Miguel; à equipa do Clube de Natação de Rio Maior, onde treina; à Federação Portuguesa de Atletismo, ao Comité Olímpico Português, e aos muitos portugueses que puxaram por ela durante a prova.

"Eu estava quase em casa, ouvia-se muitos portugueses. Estou muito grata por tudo. É o meu dia fantástico". Emocionada, Inês Henriques confessou depois que ainda mal dá para acreditar.

Pouco depois, na TSF, a primeira campeã mundial dos 50 quilómetros marcha, não escondeu o orgulho por poder concretizar "um grande sonho". Um grande sonho que não teria sido possível sem a família: "não sou, nunca fui um talento. Sempre fui muito trabalhadora. Podemos não ser fantásticos, mas, quando trabalhamos, conseguimos".

Uma forma de encarar a vida que diz dever aos pais: "sempre me deram a cana, para eu aprender a pescar".

Nesta vitória em Londres, há um outro objetivo cumprido. Inês Henriques considera que "a primeira conquista foi as mulheres estarem cá; acontecesse o que acontecesse, era uma vitória":

A portuguesa campeã diz que queria estar ali "para demonstrar que as mulheres podem fazer isto. É duro. Mas é possível". Inês Henriques confessa que os últimos 4 quilómetros foram "muito duros" e que estava muito cansada, em termos musculares. Ainda assim, "comecei a fazer contas e pensei: só tens de acabar, tranquila".

E assim foi. O resultado é uma medalha de ouro e um novo recorde do mundo: 4 horas, 5 minutos e 56 segundos.

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