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António Borges: corte de 4 mil milhões é «marginal»

O consultor do Governo considera que o corte de 4 mil milhões é uma «questão acessória», acredita que, a prazo, Portugal vai crescer 5% por ano e lamenta a suspensão da venda da RTP.

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António Borges está otimista, mais otimista que o Governo, a troika e a OCDE. O economista acredita que depois de 2014 o país vai iniciar uma tendência de «crescimento forte» que pode traduzir-se em PIBs que engordam «4 ou 5 por cento» ao ano. O consultor do Governo para as privatizações «tem pena» que o Governo tenha suspendido a venda da RTP, e considera que o corte de 4 mil milhões de euros é «marginal».

4 mil milhões de euros? Corte «marginal»

Entrevistado na TSF e no Dinheiro Vivo na semana em que passa um ano desde que foi contratado pelo Governo para prestar serviços de consultadoria na área das privatizações, o social-democrata fala sobre o polémico corte de 4 mil milhões de euros na despesa do Estado.

Numa altura em que o país discute o corte que o governo acertou com a troika - uma discussão acesa, com a oposição a dizer que a magnitude da tesourada coloca em causa o Estado Social - Borges desvaloriza a medida: «É um corte relativamente marginal», afirma. «Já fizemos cortes muito maiores nestes dois últimos anos. A questão dos 4 mil milhões é uma questão acessória. A questão de fundo é saber se vamos fazer reformas. Os cortes brutais que fizemos até agora foram horizontais, sem selectividade. Agora é preciso reformar o sistema. O relatório do FMI apresenta opções que dão para cortar 15 mil milhões».

Portugal vai crescer «4 ou 5 por cento ao ano»

António Borges está muito otimista em relação ao futuro imediato do país: «toda a gente quer comprar dívida portuguesa», responde quando questionado sobre o regresso aos mercados. O economista, ex-FMI e ex-Goldman Sachs está convencido que «2014 vai ser um ano de crescimento económico forte, de aceleração para uma tendência, a prazo, de 3, 4, 5 por cento».

O social democrata diz-se «muito mais confiante» do que o Governo, que estima 0,8 por cento em 2014, e 1,8 em 2015 e 2016. E considera que as previsões da União Europeia e do FMI são «extraordinariamente conservadoras. E não é por ter uma confiança cega nas capacidades dos portugueses. É porque já o fizemos. Em 83-85 tivemos um programa de ajustamento duro e depois tivemos crescimento rapidíssimo a seguir. Porque é que não seremos capazes de fazer o mesmo? O país hoje é muito melhor do que em 85».

Suspensão da privatização da RTP: «tenho pena»

O consultor contratado pelo executivo há um ano para a pasta das privatizações diz que só por imperativos políticos a privatização da RTP foi suspensa.

António Borges continua favorável à entrega da estação pública a privados até porque «é possível compatibilizar a gestão privada com o interesse nacional e com o serviço público». É um modelo que provavelmente permitiria à RTP ser melhor gerida, desempenhar a sua missão e com grande economia de recursos para o sector público».

O economista diz, por isso que «tem pena» que o Governo tenha suspenso o processo. Borges recusa dizer se está em desacordo com o Governo, explicando que «a oportunidade política ultrapassa-me muitíssimo».

O Governo tem em cima da mesa a privatização de várias empresas públicas, como a CP, os CTT, ou as águas e António Borges está muito otimista em relação a estes dossiers, garantindo que os calendários se mantém e que há várias manifestações de interesse.

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