A Vida do Dinheiro

Caixa: "Contribuintes têm o direito de saber onde se gastou o dinheiro"

Na entrevista Vida do Dinheiro, António Horta Osório considera que "houve erros graves (na Caixa) e seria lamentável se não houvesse resultados da investigação sobre quem emprestou dinheiro a quem".

Em entrevista exclusiva à TSF e Dinheiro Vivo o banqueiro português que é presidente do Lloyds Bank, afirma que "houve erros muito significativos na CGD anteriormente e acho que seria lamentável que não houvesse os resultados da investigação que se disse que ia acontecer e que ficasse claro que responsabilidades foram, quem emprestou o quê a quem, porque, repito, o dinheiro não é dos acionistas, é dos contribuintes e estes têm o direito de saber como é que o seu dinheiro e o seu banco foi utilizado e as pessoas devem ser responsáveis perante aquilo que fizeram. Isso é essencial e gostaria muito que isso fosse conhecido. Em relação ao futuro, a minha posição é muito simples: o governo decidiu que vamos injetar mais dinheiro dos contribuintes na CGD, que é um banco completamente público. Dado que assim é, a CGD tem essa responsabilidade muito especial de apoiar fortemente a economia real do país, que bem precisa, que são as famílias e as PME"

Olhando para casos como a CGD e outros, é impossível não questionar: houve má gestão no sistema financeiro em Portugal?

É óbvio que no caso dos bancos que tiveram de fechar ou ser intervencionados, como o BPN, do BES, acho que isso é óbvio. Nem precisa de ser comentado. Em relação à CGD, o importante é que sendo um banco público - e de novo gostava de frisar que isso significa que o capital não é dos acionistas, é dos contribuintes -, a CGD tem uma responsabilidade muito especial por apoiar a economia em Portugal. Foi muito forte no retalho e pode recuperar essa posição. Tem especial responsabilidade em apoiar as PME, estrutura base de qualquer economia e que constituem a maioria do emprego em Portugal, a maioria das exportações. Neste momento, em que alguns bancos estão mais debilitados e não podem apoiar as PME - o BES, Novo Banco era muito forte nas PME -, a CGD, sendo um banco público, tem essa responsabilidade especial e devia ter um plano público de apoio às PME. Acho que Paulo Macedo tem todas as condições para fazer um bom trabalho, tem experiência anterior forte em banca no BCP como tem experiência política relevante no governo.

Como António Domingues também teria se tivesse ficado...

Como António Domingues, se tivesse ficado, teria essa especial responsabilidade e eu teria dito a mesma coisa, como aliás disse.

Ver mais:

Horta Osório: "Governador teve coragem quando ninguém levantava a voz a Salgado"

Horta Osório elogia António Costa mas lembra que o Governo anterior facilitou a vida

Horta Osório: "Dinheiro dos contribuintes não deve servir para salvar bancos"

  COMENTÁRIOS