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O organismo liderado por Teodora Cardoso prevê défice de 2,6% este ano. E revê em baixa o crescimento para 1%.
Os economistas do Conselho das Finanças Públicas (CFP) projetam uma derrapagem no défice para este ano, considerando que as contas públicas vão ficar "longe do equilíbrio desejável". Num cenário em que não sejam alteradas as políticas, o organismo liderado por Teodora Cardoso prevê 2,6% de défice este ano, acima dos 2,2% definidos pelo governo e dos 2,5% exigidos por Bruxelas.
O CFP entende que continua a haver pouca margem de segurança, mesmo em relação à barreira dos 3%. "O saldo continua demasiado próximo dos 3% e muito longe do ajustamento estrutural", avisou Teodora Cardoso, em conferência de imprensa para apresentação do relatório "Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2016-2020. Para 2017, o CFP prevê um défice de 2,7%.
Apesar disso, a maior preocupação do Conselho de Finanças Públicas prende-se com o crescimento económico. O CFP prevê agora uma subida de 1% este ano, quando, na anterior projeção, em abril, projetava 1,8%. Até 2020 espera que os crescimentos anuais não sejam superiores a 1,5%.
Teodora Cardoso avisa que os riscos não foram dissipados: "A evolução da economia em 2016 tem vindo a confirmar - e nalguns casos a acentuar - os riscos assinalados pelo CFP nos seus relatórios sobre o Orçamento do Estado para 2016 e Programa de Estabilidade 2016-2020". Em causa, nomeadamente, a fraca evolução da procura externa e dos preços, bem como o menor impacto do estímulo ao consumo privado sobre o investimento e o crescimento.
Resgate "deve ser hipótese de excluir"
Questionada sobre a possibilidade de um segundo resgate, Teodora Cardoso diz que "ninguém o quer" e que, neste momento, mais do que discutir eventualidades, deve pensar-se sobre o que o país tem de fazer para evitar outra vez a ajuda externa.
Em relação ao imposto hoje anunciado sobre os proprietários, prefere não comentar, ressalvando, no entanto, que o país precisa de ter estabilidade fiscal.