Economia

Desigualdades entre ricos e pobres injustas e imorais, alerta Lino Maia

Entre os 30 países da OCDE, Portugal é dos mais injustos no que respeita à distribuição dos rendimentos e está entre os primeiros quanto às diferenças entre ricos e pobres. O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social, Lino Maia, adianta que esta situação «não é justa nem moral».

O relatório sobre «Crescimento e Desigualdades», esta terça-feira divulgado pela OCDE,  revela que em 23 dos 30 países membros desta organização, as desigualdades de rendimentos e o número de pobres aumentaram durante os últimos 20 anos. 

Esta situação verifica-se sobretudo nos países mais ricos. É o caso do Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia

Entre os que os alcançaram alguns avanços estão o México, a Grécia, Austrália e Reino Unido, mas a Dinamarca e a Suécia são os mais justos de todos.

Portugal aparece quase no fundo da lista lado a lado com os Estados Unido.

Nos últimos lugares, onde é maior o fosso entre ricos e pobres estão o México e a Turquia, é também aqui que a mobilidade social é mais baixa e o risco de pobreza é maior.

O relatório demonstra, também, que é nos países com maiores diferenças sociais que os ricos ficaram ainda mais ricos.

A pobreza das crianças é um fenómeno que tem vindo também a aumentar, situando-se acima da média geral.

Alemanha e República checa são os dois países europeus onde esta tendência mais se acentuou.

Em contrapartida, os mais idosos viram os seus rendimentos a aumentar. Para inverter esta tendência, a OCDE apela aos países membros para que criem incentivos para as pessoas trabalharem mais, para que haja melhores salários, porque os números revelam que é nos países com maiores taxas de emprego que existem menos pobres.  

O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social diz que não fica surpreendido com estas conclusões. Lino Maia defende medidas para atenuar o fosso entre ricos e pobres, sublinhando a necessidade de uma nova política salarial.

«É preciso que as actualizações não sejam uniformemente percentuais, mas que aumentam mais para aqueles que ganham pouco e não tanto aqueles que ganham muito. Já era previsível, nós temos em Portugal, poucos que ganham muito e muitos que ganham muito pouco ou nada. É importante corrigir isto, porque não é justo nem moral», defende.

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