Economia

Fabricantes de componentes para carros temem saída da VW de Portugal

Empresários dizem que Volkswagen pode facilmente construir carros noutras fábricas, numa altura em que setor, em geral, já pensa reduzir força de trabalho.

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) teme que o conflito laboral na Autoeuropa acabe por afastar a Volkswagen de Portugal.

Esta entidade, que representa muitos dos fornecedores da fábrica de Palmela, sublinha que a concorrência para ter este tipo de fábricas nos países é cada vez maior e a tecnologia da marca alemã já permite que se montem carros em vários locais, diminuindo trabalhadores.

À TSF, o dirigente da AFIA Adolfo Silva começa por sublinhar que o negócio neste setor dos componentes em Portugal tem crescido cada vez mais, não tanto pelas encomendas da Autoeuropa, mas sobretudo pela exportação para fábricas de carros no exterior: 90% dos componentes "made in Portugal" já são vendidos para o estrangeiro. Mesmo assim a Autoeuropa é uma empresa muito importante para o setor e para a economia nacional.

Adolfo Silva recorda que as fábricas de carros estão a mudar muito e rapidamente com uma série de alterações culturais e tecnológicas que permitirão, por exemplo, que existam cada vez menos trabalhadores.

Um conflito laboral é por isso um problema extra numa altura em que as empresas, em geral, já planeiam reduzir unidades de produção e força de trabalho, "criando outro tipo de argumentos que podem facilitar a deslocalização do negócio e isso é extremamente preocupante".

"Se o conflito não for resolvido de facto a Volkswagen pode sair de Portugal até porque a marca tem várias linhas de montagem espalhadas pela Europa, e não só, que lhe permitem construir um modelo em sítios diferentes", explica.

A AFIA acrescenta que o conflito em Palmela levanta ainda um problema de imagem para Portugal pois afeta a captação de novos investimentos estrangeiros.

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