Economia

Governador do BdP diz que Portugal já está em recessão económica

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, em entrevista ao Diário Económico, afirma que o país já está em recessão, sublinhando que a esperança reside nas exportações.

«Nem sempre somos os mensageiros que todos gostaríamos de ouvir, mas o mensageiro não modifica a mensagem. E se a mensagem é sólida e está tecnicamente fundamentada não se pode ignorá-la».

É com esta frase que o governador do Banco de Portugal envia a crua mensagem. Questionado sobre se Portugal está ou vai estar em recessão, Carlos Costa é inequívoco: «pode dizer-se que estamos em recessão económica».

O motivo desta recessão é o processo de emagrecimento e ajustamento orçamental em curso. E a esperança para sair da recessão reside nas exportações.

Sobre a possível entrada do FMI em Portugal, o governador esquiva-se e responde com uma pergunta: «Será que ainda temos força anímica e capacidade para convencer os mercados de que cumpriremos os compromissos?».

O governador reconhece, no entanto, que está a ser feito um grande esforço de sustentabilidade das finanças públicas, mas sublinha que é necessária «determinação e capacidade para cumprir os objectivos» por parte dos políticos.

Por isso pede «resultados claros de execução orçamental» para que se alivie a pressão sobre os juros da dívida pública.

O substituto de Vítor Constâncio iliba o seu antecessor de possíveis falhas de regulação ou supervisão, principalmente em casos como o do BPN.

Apesar de reconhecer que as funções de supervisão do Banco de Portugal sofreram actualmente uma alteração de 180 graus.

Hoje, diz Carlos Costa, a banca está sólida mas, tendo conta a conjuntura, deve reforçar os seus capitais. Só assim os bancos podem continuar a apoiar a economia e evitar uma eventual degradação da conjuntura.

Sobre a possível entrada do FMI em Portugal, o governador do BdP esquiva-se e responde com uma pergunta: «Será que ainda temos força anímica e capacidade para convencer os mercados de que cumpriremos os compromissos?».

No cargo há oito meses, Carlos Costa garante que tem uma boa relação com o Governo, que o ministro Teixeira dos Santos é indispensável, assegurando, no entanto, que não deixará de fazer avisos ou pressões.

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