Economia

João Galamba: PS ainda não está preparado para ser alternativa (vídeo)

«Ainda há um grande trabalho a fazer para mobilizar a sociedade portuguesa e para o PS se constituir como uma verdadeira alternativa», defende o deputado socialista que lembra a «grande batalha política que se avizinha», com as eleições europeias, as legislativas e depois as presidenciais.

João Galamba afirma que tem sempre reparos a fazer a todas as lideranças. «Apesar de toda a gente olhar para mim como um socrático empedernido eu fiz críticas públicas e privadas muito fortes ao Governo de José Sócrates», diz.

Em relação ao atual líder do PS, João Galamba sublinha que as críticas são públicas. «No início, o PS fez uma escolha estratégica na qual não me revejo que foi dar por perdido o debate na opinião pública sobre os méritos ou deméritos da governação de José Sócrates», refere o deputado socialista para quem isso foi um fator de fragilização do partido.

«Eu penso que o PS perdeu a sua capacidade de afirmação política no curto e no longo prazo ao escolher não combater a narrativa da direita», acrescenta.

João Galamba acredita, no entanto, que hoje há uma maior pacificação no partido, que todos estão mais em sintonia.

Questionado sobre se revê na atual liderança do partido, João Galamba responde: «eu não apoiei esta liderança no início, neste momento a questão do debate em torno da liderança não é um tema e, portanto, revejo-me na liderança do PS que é a única que existe».

«PS tem de ter vitória nas Europeias»

João Galamba diz que não concebe a possibilidade do PS não ter uma vitória nas eleições europeias, mas reconhece que o partido está um pouco atrasado na articulação de «um discurso forte que mobilize as pessoas e que faça sentido no momento atual».

«O PS tem de, o quanto antes, apresentar aos portugueses uma lista de qualidade que não deixe dúvidas que aquele conjunto de pessoas é o melhor tem que o PS tem para apresentar às eleições», afirma o deputado socialista que se recusa a indicar nomes considerando que essa é uma tarefa do líder do partido.

Apesar de considerar que o PS devia estar mais adiantado em relação às europeias, João Galamba rejeita que a responsabilidade pelos maus resultados do partido nas sondagens seja da liderança de António José Seguro.

«É um erro pensar que é um problema da liderança do PS», afirma o deputado que considera que o problema é sobretudo europeu e está no discurso da social democracia que «tem dificuldade em articular um discurso autónomo e uma alternativa à direita».

«Em diferentes países europeus, por razões diferentes, foram todos capitulando ideologicamente e demitindo-se de fazer uma verdadeira oposição à estratégia que neste momento é hegemónica e avassaladora na Europa», diz João Galamba.

«Pouco importa se se chama cautelar, plano B , Zé Maria ou Manuel António»

João Galamba está mais preocupado com o impacto na vida dos portugueses do que com o nome que vai ter a saída do programa de ajustamento.

«Pouco me interessa que nome é que lhe dão, eu quero saber é: em maio os rendimentos dos portugueses e esta política continua a ser seguida, sim ou não?» questiona o deputado socialista que acrescenta «se sim, pouca diferença fará se se chama cautelar, plano B, Zé Maria ou Manuel António, o que interessa é que impacto terá na vida dos portugueses».

Essa é a discussão que, para João Galamba, deveria estar a ser feita nesta altura. Para ele, «se as coisas continuarem apenas com outro nome nenhum português sentirá a diferença, a euforia durará uma, duas, três semanas, mas o futuro sombrio e a desgraça que estamos a viver hoje continuarão durante muitos e bons anos».

João Galamba rejeita que PS esteja em negação em relação ao défice

«Se não queremos transformar a política numa espécie de claque de futebol, eu penso que temos de ser rigorosos com os números e perceber o que está em causa», afirma João Galamba, que diz não conseguir encontrar razões para euforias.

Em causa, a execução orçamental de Dezembro e os valores do défice apresentados pelo Governo.

Para o deputado socialista, é muito importante a forma como se consegue cumprir a meta do défice e que neste caso, defende, ela só foi cumprida porque a própria meta foi «uma convenção política» e porque o acordo permitiu incluir receitas, mas deixou de fora despesas.

«Um défice que conta com a receita extraordinária da ANA de 400 milhões de euros, que conta com o perdão fiscal (cerca de 1300), mas que exclui a regularização de dívidas para as autarquias, para a região autónoma da Madeira, para a saúde e que exclui a despesa do BANIF não é um défice que respeite qualquer regra» conclui.

Dívida é insustentável e tem de ser reestruturada

O deputado socialista considera que vai ser necessário reestruturar a dívida. «Olhando para o stock de dívida, para a redução potencial do PIB, com uma situação de deflação com uma inflação nula eu acho que a dívida hoje é muito mais insustentável do que era antes», afirma João Galamba.

Para o deputado do PS, este é também um problema europeu e não português e deve ser resolvido por todos. «A dívida é insustentável e tem de ser assumida por todos e lidada por todos, a modalidade que depois escolhemos para reduzir os encargos para cada país isso é assunto para debate futuro, agora que é impagável e é um enorme entrave para o crescimento, isso não tenho a mínima dúvida», afirma João Galamba.

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