TSF

  • Menu
  • Em Directo
economia

Maior queda nos bens e serviços transaccionáveis aconteceu entre 1988 e 1993

Estudo publicado pela Universidade do Minho revela quando é que Portugal abandonou sectores como a agricultura e a indústria e virou um país de serviços.

PUB

Um estudo publicado no Núcleo de Investigação em Políticas Económicas da Univerdade do Minho conclui que, desde a entrada na Comunidade Económica Europeia, mais de metade da queda de sectores como a indústria ou a agricultura, no total da economia portuguesa, aconteceu entre 1988 e 1993.

A falta de bens e serviços que se possam exportar (transaccionáveis com o exterior) tem sido um dos problemas mais apontados à economia portuguesa, entre outros pelo presidente Cavaco Silva.

Neste estudo, os dois autores, Fernando Alexandre e Pedro Bação, economistas, recordam que desde a adesão europeia, há quase 30 anos, Portugal teve uma economia que quando cresceu o fez de forma errada, apostando em áreas não-transaccionáveis com o exterior, que não tinham sustentabilidade.

À TSF, Fernando Alexandre explica que o ponto de viragem para estas áreas aconteceu entre o final da década de 80 e o início da década de 90, mais precisamente entre 1988 e 1993: «olhando para a tendência de crescimento dos sectores transaccionáveis verificamos que há uma quebra nesse período e que mais de 50% do aumento do peso nesses sectores desde que Portugal entrou na Comunidade Económica Europeia ocorreu nesses 5 anos».

Em duas décadas Portugal perdeu 250 mil empregos na indústria e outros milhares na agricultura, mas em paralelo cresceu o trabalho nos serviços.

Uma tendência que continuou, mas de forma mais lenta, desde a segunda metade da década de 90 e que foi sempre estimulada pelo Estado.

Fernando Alexandre recorda as políticas dos governos como o aumento dos serviços públicos, a construção de infra-estruturas ou alguns incentivos como o crédito bonificado à habitação, e sublinha que estas tiverem um «papel determinante no crescimento dos sectores não-transaccionáveis na economia portiuguesa».

O economista admite que a subida destas sectores que não se podem exportar aconteceu sobretudo em anos de governos liderados por Cavaco Silva, mas sublinha o contexto e a importância da entrada na Comunidade Económica Europeia dizendo que esta tendência também ocorreu em «muitos outros países» numa Europa que agora tem um problema semelhante ao português.

Fernando Alexandre recorda ainda a valorização da taxa de cambio a partir de 1988 que travou as exportações, bem como o crescimento do mercado interno verificado na década de 90 e que levou muitas empresas nacionais a não terem vontade nem necessidade de apostar nas vendas para o estrangeiro.

  COMENTÁRIOS

Em Directo

Registe-se e receba diariamente a nossa Newsletter