Zona Euro

Seguro e Assis elogiam mudança de atitude de Cavaco quanto ao euro

Os candidatos à liderança do PS registaram com agrado a mudança de atitude de Cavaco Silva, que considerou que seria vantajoso para a Zona Euro uma desvalorização da moeda única.

António José Seguro declarou-se, este sábado, «satisfeito» com a «mudança de posicionamento» de Cavaco Silva em relação à União Europeia mas, afirmou, que «não bastam palavras, é preciso agir».

À margem de um encontro com militantes em Guimarães, António José Seguro comentava as afirmações de hoje de Cavaco Silva que disse que um enfraquecimento do euro era «desejável» para tornar a economia dos países da Zona Euro mais competitivas.

«Registo que nos últimos tempos o Presidente da Republica tem vindo a ter alguma voz crítica em relação ao posicionamento da União Europeia, o que é bom para Portugal», afirmou Seguro.

Para o candidato a secretário-geral do PS, as autoridades portuguesas, e em particular o Governo, devem «fazer ouvir Portugal nas altas instâncias europeias».

António José Seguro considerou «fundamental» que o primeiro-ministro português «tome iniciativas no sentido de mobilizar outros líderes europeus para que a Europa decida», isto porque, explicou, «nos últimos tempos a Europa tem apenas reagido e andado atrás do prejuízo quanto confrontada com alguma crise».

O candidato à liderança do PS adiantou ainda que já apresentou um «conjunto de propostas a nível europeu para fazer face à crise», como por exemplo a «emissão de "eurobonds" [títulos de dívida europeus] e um reforço dos meios financeiros da União Europeia».

O outro candidato à liderança do PS, Francisco Assis, considerou que «não podemos advogar» uma moeda «mais fraca», defendendo que a Europa «precisa de uma moeda forte» e de medidas contra a crise, como a emissão de dívida pública europeia.

«A Europa precisa de uma moeda forte, não é isso que está aqui em causa, e julgo que não podemos advogar a necessidade de uma moeda mais fraca, pelo contrário», disse Francisco Assis aos jornalistas em Beja, à margem de um encontro com militantes no âmbito da sua candidatura a secretário-geral do PS.

Além de «uma moeda forte», continuou, «a Europa precisa, ao mesmo tempo, de adoptar medidas que façam face a esta gravíssima crise financeira», como «a mutualização» da dívida pública europeia.

«Isto é, tem que haver emissão da dívida pública europeia por parte das entidades europeias», para que «os países mais periféricos» possam «ver salvaguardados os seus interesses», explicou.

O ex-líder parlamentar socialista afirmou que «o problema é que o euro tem sido objecto de ataques há muito tempo».

«Nós [PS] já dizíamos isso há muito tempo. Quando alguns dos principais responsáveis políticos do país achavam que o problema era o Governo do PS e, em particular, o primeiro-ministro, nós dizíamos o contrário», lembrou.

Segundo Francisco Assis, «o problema era a forma como o euro estava a ser atacado e a circunstância de a Europa não ter capacidade de reacção solidária face a esses ataques», algo que, considerou, é hoje evidente.

Francisco Assis disse que o PS tem a «expectativa», que já é de «há muito tempo», de que saia «um sinal de solidariedade» do próximo Conselho Europeu extraordinário, referindo que o PS fez «esforços» nesse sentido quando estava no governo.

«Fico satisfeito por ver quem na vida política portuguesa tem vindo a alterar a sua opinião e a evoluir na sua análise em relação ao que se está a passar. Mas nós [PS] não mudamos de opinião. Não temos um discurso quando estamos no poder e outro quando estamos na oposição. Temos sempre o mesmo discurso», disse.

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