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Seguro insiste que Passos esclareça se está a negociar um segundo programa

O secretário-geral do PS insistiu hoje que o primeiro-ministro tem de esclarecer com urgência se Portugal está a negociar um segundo programa de assistência financeira.

António José Seguro falava aos jornalistas após ter discursado no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa, numa conferência promovida pela Antena 1/Económico.

Confrontado pelos jornalistas com o facto de o secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, ter afirmado momentos antes, no âmbito da mesma conferência, que Portugal está apostado em concluir o atual programa para depois poder contar com «um seguro» que garanta o regresso aos mercados, o líder socialista começou por responder com uma nota de humor.

«Estou muito de acordo que é preciso um 'seguro' para o país», disse, fazendo um sorriso, antes de retomar (agora num tom a sério) a sua ideia de que «o país precisa de ouvir o primeiro-ministro», Pedro Passos Coelho.

O secretário-geral do PS referiu que a 04 de outubro, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro disse que Portugal «não necessitava de um segundo programa».

«Mas o ministro da Economia [Pires de Lima], na segunda-feira, em Londres, afirmou que Portugal estava a trabalhar num segundo programa. O primeiro-ministro precisa rapidamente de se explicar perante o país», declarou o líder socialista.

Para António José Seguro, o atual Governo tem sido «hábil nas palavras que utiliza», dando como exemplos a ideia de requalificação para alegadamente caracterizar despedimentos na função pública, ou expressões como reforma do Estado para caracterizar cortes na educação, saúde e segurança social.

«De uma vez por todas, o primeiro-ministro tem de clarificar a situação: Por que razão é necessário um novo programa (no caso de estar a ser trabalhado), o que falhou e quem assume as responsabilidades?», questionou o secretário-geral do PS.

Segundo Seguro, o primeiro-ministro «não pode ficar em silêncio e tem de vir rapidamente esclarecer o país, porque é uma questão da maior importância».

Questionado se é possível haver um entendimento político entre o PS e a maioria PSD/CDS em torno da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2014, o líder socialista declarou que defende para o país «a via da sustentabilidade».

«Este Orçamento não reflete nenhuma estratégia de consolidação das contas públicas, sendo antes um plano de pobreza e de empobrecimento do país. Isto não é vida para o nosso país. Esta é a via do empobrecimento e para a via do empobrecimento não contam com o PS», respondeu.

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