Finanças

Teodora Cardoso: «Não podemos ser só um país que faz o que lhe mandam»

A presidente do Conselho de Finanças Públicas entende que o Governo não tem sabido explicar as medidas que implementa e acredita que o país vai conseguir cumprir o programa.

A presidente do Conselho de Finanças Públicas avisou, em entrevista à TSF, que o Governo tem de empenhar-se na explicação das medidas que toma em matéria de finanças públicas e de política económica.

«É preciso tornar muito claro que nós não estamos a tentar unicamente corrigir algumas coisas para depois voltar ao passado mas estamos efectivamente a propor-nos mudar de vida», sublinhou.

Para isso, adianta, «é preciso um programa claro, não bastam listas de medidas, isso não vale a pena fazer, mas uma lógica de medidas", que tem de ser acompanhada pela prestação de contas.

«É preciso saber o que já foi feito. E se é muito difícil acompanhar isto em Portugal, para os estrangeiros é totalmente impossível, nem sequer tentam», explicou.

A presidente do órgão de análise e fiscalização das finanças públicas explicou ainda que «é bom cumprirmos o programa da troika», muito embora não se deva ficar «pelo programa da troika e ser um país que faz aquilo que lhe mandam», uma vez que Portugal tem de «pensar pela própria cabeça e ir além do que nos mandam».

Teodora Cardoso acredita ainda que o tempo de resolver problemas nas finanças públicas por via da receita «já acabou» e que «se fizermos as coisas bem feitas, dentro de cinco anos teremos impostos muito mais baixos».

Considerando que a Europa «está à beira do abismo», a presidente do Conselho de Finanças Públicas acredita que o problema de Espanha vai definir um momento de viragem na Europa, que não terá outro remédio senão resolvê-lo.

«Se isto correr mal, corre mal a todos» e «os países nórdicos também ficariam a perder com um aprofundar da crise em Espanha», lembrou.

Com o problema espanhol resolvido, as exportações portuguesas ficam a salvo de surpresas maiores, o que permitirá a Portugal fazer a parte que lhe compete, ou seja, as medidas do acordo com a troika.

Teodora Cardoso crê também que Portugal vai ser capaz de cumprir o programa da troika e que «se tudo correr bem», Portugal «não precisará de mais tempo nem mais dinheiro».

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