Presidenciais 2016

"Eu até estou aqui a fazer bonequinhos"

A frase não há de ficar para a história, porque foi um debate sem história. Tino de Rans queixou-se: "Há uma parte do debate que a mim não me interessa para nada. Eu até estou aqui a fazer bonequinhos".

Tino faz bonequinhos enquanto uns falam, falam, falam, e os outros ouvem, como deve, aliás, fazer um presidente, diz a psicologia de Jorge Sequeira: "Temos que ouvir e fazer consequência daquilo que é ouvido".

E depois vem outra vez o pragmatismo de Tino, com a metáfora futebolística: "O Messi é muito bom jogador, porque quando está com a bola não dá chutos para longe, está sempre perto da bola e quem está perto da bola está perto do golo. Eu também quero estar perto do golo, mas para isso passem-me a bola".

Tino de Rans já teria a bola outra vez. Para já, Marisa Matias defende e quem está ao ataque é Paulo Morais. Tema? Corrupção. Morais generaliza a corrupção à classe política e defende que "tanto rouba quem vai à horta como quem fica à porta". Marisa responde, desafia-o a denunciar alguém e sublinha que enfrentou o lóbi da indústria farmacêutica: "Eu recebi ameaças de morte, mas enfrentei-os".

Tino sorria para Marisa. "Posso tratar-te por tu?", perguntava o candidato presidencial. Marisa anuía. Tino parecia feliz com a resposta: "Eu trato a Marisa por tu!".

A propósito de felicidade, Sequeira defendia que o desenvolvimento do país deve ser medido pela felicidade interna bruta e Cândido Ferreira, num debate com todos, queixou-se da falta de debates com todos: "Ou há debates iguais para todos ou não há debates nas presidenciais para ninguém". E ninguém mais se queixou disso...

Num debate em que sobrou pouco para além da polémica do dia - as subvenções vitalícias -, Tino (outra vez Tino) queixou-se das dificuldades que os emigrantes têm em votar, sacou gargalhadas e, uma coisa é certa, foi o candidato mais aplaudido no debate.

À saída, candidatos como Henrique Neto e Jorge Sequeira queixaram-se de ter tido menos tempo de antena do que outros candidatos. Já Sampaio da Nóvoa queria mais tempo para debater as subvenções vitalícias e garante que, se chegar a presidente da República, renunciará à subvenção vitalícia. Marcelo Rebelo de Sousa e Marisa Matias consideram que os portugueses ficaram mais esclarecidos.

O comentador de Política nacional da TSF e diretor do jornal eletrónico Observador, David Dinis, reconhece que o debate não contribuiu de forma decisiva para o resultado eleitoral de domingo.

Faltam três dias para acabar a campanha presidencial.

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