África

Egito: Cúpula militar reunida de urgência para analisar decreto presidencial

O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito vai reunir-se de urgência para analisar o decreto presidencial que anulou a decisão do Tribunal Constitucional que permitiu aos militares dissolverem o parlamento.

Segundo noticiou a agência noticiosa oficial egípcia Mena, a cúpula militar, presidida por Husein Tantaui, analisará o decreto do Presidente Muhamed Morsi, que alguns observadores interpretam como «um desafio» ao poder militar no país.

No decreto, o novo presidente egípcio, Mohamed Morsi, anula a decisão do Tribunal Constitucional que levou a Junta Militar a dissolver o Parlamento.

«O presidente Morsi emitiu um decreto presidencial que anula a decisão tomada a 15 de Junho de 2012 para dissolver a Assembleia do Povo e convidou a câmara a voltar a reunir-se e a exercer as suas prerrogativas», noticiou a Mena.

O presidente egípcio estabeleceu também a realização de eleições 60 dias depois da aprovação da nova Constituição pelo Parlamento, o que só deverá ocorrer dentro de alguns meses.

A 16 de junho, a Junta Militar que governou o Egito entre a demissão de Hosni Mubarak e a posse de Mohamed Morsi anunciou que assumia o poder legislativo, depois de a eleição do Parlamento ter sido invalidada pelo Tribunal Constitucional.

A decisão de hoje de Morsi...ao ter sido anunciada sem que a junta fosse consultada está a ser encarada como um desafio aos militares

Ouvido pela TSF, Raul Braga Pires, especialista em Assuntos Árabes e professor na Universidade de Porto, explicou que esta decisão já era esperada.

O responsável recordou que a Irmandade Muçulmana nunca aceitou a dissolução do Parlamento e defendeu que que o novo presidente do Egito não podia evitar entrar em colisão com os militares.

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