África

Guiné-Bissau: Garrafas de cerveja reutilizadas para distribuir medicamentos naturais

Ao longe parece cerveja, mas os rótulos artesanais mostram que as garrafas foram limpas e reutilizadas para distribuir medicamentos naturais na Guiné-Bissau, explicou fonte da Caritas guineense à agência Lusa.

Xaropes para atacar crises de hepatite, paludismo e outras doenças são feitos com plantas medicinais e estão expostos na Feira de Medicina Tradicional Africana que se iniciou na sexta-feira e termina hoje nas instalações da Curia Diocesana de Bissau e Bafatá.

Maria Lopes, 51 anos, enfermeira, ainda há pouco tempo resolveu uma crise de tosse com um dos xaropes da Caritas, feito com os conhecimentos de curandeiros que preservam as receitas tradicionais, auxiliados por um punhado de cientistas e investigadores.

«Tomei e melhorei, a um preço muito mais baixo que os outros medicamentos» fabricados por empresas farmacêuticas, referiu à Lusa quando visitava a feira.

Não tardou até comprar mais umas quantas garrafas, desta vez com xarope contra a asma, que entregou a uma irmã com problemas respiratórios.

Para além dos xaropes, há chás, sementes e produtos em pó, muitos distribuídos em embalagens iguais às de medicamentos e angariadas por médicos estrangeiros que colaboram com o projeto.

O preço destes produtos feitos com plantas da Guiné-Bissau varia entre 300 e 1200 francos CFA (entre 45 cêntimos e dois euros), explica Vandira Almada, coordenadora do projeto "Natureza é Vida" que está a ser desenvolvido há 11 anos.

A Caritas refere que a procura por este tipo de produtos «triplicou de 2012 para 2013», o que a organização acredita dever-se à crise que afeta o país, mas também graças à credibilidade que as plantas medicinas estão a conquistar, muito devido aos testemunhos de vários pacientes.

O crescimento surpreendeu a Caritas: «já chegámos ao ponto de não ter produtos para dar resposta», referiu Vandira Almada.

Atualmente, são produzidas por mês 150 doses de cada medicamento (em garrafa ou outros recipientes), vendidos em farmácias instaladas em Bissau, Mansoa e Contuboel.

Na cerimónia de abertura da feira, Vandira deixou um apelo para o envolvimento de instituições científicas de todo o mundo para que as plantas medicinais da Guiné-Bissau sejam cada vez mais aproveitadas.

O apelo é reforçado pelas recomendações de instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS), que defende o aproveitamento das qualidades da flora de cada país, sobretudo na sub-região da África Ocidental.

Mário Gomes, 33 anos, já tomou um xarope contra a bronquite e voltou à feira para comprar mais.

«Com outros medicamentos, tomava, mas a bronquite não passava. Com este, fiquei bom», concluiu.

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