Internacional

Eleições no Irão: Guia para Iniciados

Rohani ou Raisi. O Irão escolhe esta sexta-feira o próximo presidente. Ou não. Com menos de 50% dos votos não há vencedor e há repetição daqui a uma semana.

PARA COMEÇAR
As eleições acontecem esta sexta-feira, mas se nenhum dos candidatos conseguir mais de 50% dos votos é como se não tivessem acontecido. As próximas estão já marcadas para 26 de maio, daqui a uma semana.


OS NÚMEROS
56 milhões de eleitores
2,5 milhões dos quais votam no estrangeiro
63 assembleias de voto
2+1 candidatos


DEMOCRACIA, MAS POUCO
O presidente e o parlamento são eleitos de forma democrática, mas existe no Irão um líder supremo, que tem a palavra final em todos os assuntos internos e de política externa. Neste lugar está, atualmente, o ultra conservador Ayatollah Ali Khamenei.


ELEIÇÕES QUE SÃO UMA ESPÉCIE DE REFERENDO
São as primeiras depois do acordo nuclear feito pelo presidente e candidato Hassan Rohani, com as principais potências mundiais. Prometeu reduzir o programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções económicas internacionais. De qualquer forma, o responsável da Agência Iraniana da Energia Atómica já veio assegurar há cerca de uma semana, que o Irão vai cumprir esse acordo, independentemente do vencedor.


2+1: OS DOIS CANDIDATOS E O TERCEIRO

Hassan Rohani
Tem a história do seu lado: nenhum presidente falhou um segundo mandato desde 1981. É o atual presidente e é também o favorito na corrida. Eleito em 2013, foi quebrando o isolamento do país. Chegou a reunir com o anterior presidente dos EUA, Barack Obama e promoveu o acordo nuclear. Nesta equação do nuclear versus sanções, entra agora Donald Trump que disse, na campanha, que "iria rasgar o acordo", o que pode retirar alguns votos a Rohani. Conseguiu puxar o apoio de destacados reformadores ao colocar as liberdades e as reformas no centro da campanha, mas há uma "peça" que falta neste puzzle: o esperado alívio económico ainda não se produziu.

Ebrahim Raisi
É precisamente da situação económica que Raisi pode tirar vantagem. Questiona o desempenho de Rouhani, promete apoiar os mais necessitados e uma viragem no desemprego. O conservador, candidata-se a presidente, mas os analistas são unânimes em afirmar que, mais do que isso, Raisi quer ser o sucessor do líder máximo Ayatollah Ali Khamenei, que está com 77 anos e alguns problemas de saúde. É também visto como o candidato favorito do supremo Khamenei. Raisi tem 56 anos, foi membro da chamada "Comissão da Morte", que presidiu a execução sumária de milhares de prisioneiros políticos no verão de 1988. É doutorado em Direito Islâmico e fez carreira na área da Justiça.

Mostafa Mirsalim
As presidenciais são disputadas por mais um candidato, o conservador Mostafa Mirsalim, depois das desistências nos últimos dias dos reformadores Mostafa Hashemitaba e Es-Hagh Jahanguiri, que apelaram ao voto em Rohani, e do presidente da câmara de Teerão conservador, Bagher Qhalibaf, que pediu o voto em Raissi.


ACORDO NUCLEAR E ECONOMIA: NO FUNDO, SÃO ESTAS AS GRANDES QUESTÕES
A política económica é o eixo central desta eleição, até porque é nesta área que o presidente goza de alguma autonomia, em relação ao líder. Graças ao acordo nuclear, a retoma das exportações de petróleo permitiu em 2016 um crescimento de 6,5% e a redução da inflação de 40% para 9,5%. Mas o investimento estrangeiro esperado continua por se concretizar e a taxa de desemprego atinge os 12,5% globalmente, 27% entre os jovens. O acordo nuclear permitiu uma série de negócios de valores avultados com empresas ocidentais para aviões e exploração de petróleo, mas este andamento foi marcado também por uma queda nos preços globais do petróleo e a eleição de Trump, que fez crescer incertezas nos investidores.

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