Arábia Saudita

"Je Suis Raif", em defesa do blogger condenado a 1000 chicotadas

Na Arábia Saudita, o jornalista e ativista de 31 anos, Raif Badawi, foi condenado a 10 anos de prisão e 1000 chicotadas pelas denúncias que fazia no seu blogue contra o Islão. Depois de ter recebido as primeiras 50 vergastadas na passada sexta-feira, hoje um exame médico ditou o adiamento de uma nova série do castigo.

A situação deste blogger está a mobilizar a atenção do mundo. O caso já foi condenado pela Amnistia Internacional e tem feito eco nas redes sociais. Aproveitando a solidariedade destes dias pela liberdade de expressão, "Je Suis Raif" tem sido a frase utilizada em cartazes por pessoas que se manifestaram pela libertação do ativista saudita.

O diagnóstico, revelado esta sexta-feira, refere que a gravidade das feridas infligidas na semana passada desaconselha uma nova série do castigo, ou seja, mais 50 chicotadas. Elham Mania, académica, ativista dos direitos humanos e porta-voz de Raif Badawi, disse à TSF que ficou muito feliz com a notícia, mas tem dúvidas quanto ao que ela pode de facto significar.

«Por um lado, este é um desenvolvimento muito positivo, mas por outro não sabemos se se trata de um ato tático, para acalmar a fúria e revolta do mundo e depois mantê-lo preso», disse.

De uma coisa Elham não tem dúvida: o enorme movimento que se gerou de apoio a Badawi estará a surtir efeito junto das autoridades sauditas. E a sensibilidade da comunidade internacional depois dos ataques terroristas em França motivados pelo extremismo religioso, terá ajudado? Também para esta pergunta Elham não tem uma resposta segura. Ela lembra que a primeira sessão de chicotadas aconteceu dois dias depois dos atentados, que a Arábia Saudita condenou.

Para salvaguardar a segurança de Badawi, Elham não revela se os dois mantêm contacto direto, mas diz que «ele sente-se muito encorajado, muito feliz, com todo este apoio, sente que realmente se tornou um cidadão global, tanta é a simpatia, a solidariedade e revolta com o caso dele».

O blogger já tinha sido detido em 2004, na Arábia Saudita, pelo que escrevia no seu site, considerado contra o Islão. A sua mulher conseguiu fugir do local, com os três filhos do casal, encontrando-se refugiada na Canadá.

Questionada pela TSF via Facebook, a mulher de Raif Badawi mostra-se pessimista. Ela diz ter a certeza de que o castigo vai voltar a ser aplicado na próxima semana.

Na passada sexta-feira, Raif recebeu as primeiras 50 vergastadas e agora, todas as sextas-feiras, deverá receber mais 50 até cumprir o número estabelecido: 1000. A Amnistia Internacional lançou esta semana uma petição para a sua libertação.

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