França

Le Pen desafia Hollande a restabelecer fronteiras antes de deixar o Eliseu

A candidata de extrema-direita defende que a luta contra o terrorismo começa na recuperação das fronteiras e com o fim da ingenuidade.

A candidata da extrema-direita às eleições presidenciais francesas de domingo, Marine le Pen, pediu que sejam restabelecidas imediatamente as fronteiras após o ataque de quinta-feira na capital francesa que matou um polícia.

"A este Governo efémero, gerido pela inação, peço que ordene o restabelecimento imediato das nossas fronteiras nacionais", afirmou a candidata, numa declaração à imprensa, na sua sede de campanha em Paris, condenando ainda a "frouxidão penal" dos governos de esquerda e de direita dos últimos anos.

"A luta contra o terrorismo começa por recuperar as nossas fronteiras nacionais e por acabar com a ingenuidade", afirmou, exigindo ainda ao Presidente francês, François Hollande, que aplique, antes de deixar o cargo, dentro de três semanas, as medidas que a candidata defende no seu programa eleitoral.

Assim, pediu que os estrangeiros referenciados pelos serviços secretos por radicalismo sejam expulsos do país, que se retire a nacionalidade francesa aos que têm dupla nacionalidade para que possam ser expulsos também, e os que são apenas franceses que sejam detidos sob a acusação de "adesão a uma ideologia do inimigo".

Le Pen defendeu ainda um reforço das forças policiais com mais 15.000 agentes, dos serviços secretos e do Exército, bem como "uma adaptação da política penal a este tipo de criminalidade".

A candidata da extrema-direita pediu ainda que sejam proibidas as organizações salafistas, que sejam expulsos os imãs que promovem o ódio nos seus discursos e que seja aplicado um laicismo "estrito, conforme os princípios republicanos".

A candidata, que suspendeu as ações de campanha previstas para hoje, considerou que este novo atentado põe em evidência que a França é atacada "não pelo que faz, mas pelo que é".

"O islamismo é uma ideologia hegemónica monstruosa que declarou guerra à nossa nação, à razão, à civilização", argumentou, defendendo que para ganhar esta guerra, ou outra qualquer, há que "atuar com consistência e coerência".

Um polícia foi morto e dois ficaram gravemente feridos na quinta-feira à noite, quando um homem disparou contra o veículo em que seguiam na avenida dos Campos Elísios, no centro de Paris.

O atacante foi morto por outros agentes da polícia francesa.

"O agressor chegou de carro, saiu. Abriu fogo contra o carro da polícia com uma arma automática, matou um dos polícias", disse fonte policial citada pela AFP.

Uma turista ficou "ligeiramente ferida por bala" durante a troca de tiros, acrescentou outra fonte policial.

O Presidente francês, François Hollande, que convocou um Conselho de Segurança para a manhã de hoje, afirmou que o caso está a ser investigado pela secção antiterrorista da procuradoria de Paris e que as pistas que poderão conduzir a investigação "são de ordem terrorista".

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou já o ataque, através de um comunicado divulgado pelo órgão de propaganda do EI, a Amaq.

As autoridades francesas afirmaram que o autor do ataque estava identificado como extremista por ter manifestado a intenção de matar polícias, segundo fontes próximas do inquérito, citadas pela AFP.

O ataque ocorreu a três dias da primeira volta das eleições presidenciais em França, em que a segurança é um dos temas em destaque, após vários ataques terroristas no país nos últimos anos.

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