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Mais de um milhão de refugiados sírios, adianta a ONU

O número de sírios que escaparam à guerra civil superou, muito antes do previsto por especialistas, a barreira de um milhão de pessoas, indicam dados revelados hoje pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

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Na próxima semana assinalam-se dois anos desde que o regime de Bashar Al-Assad optou por reprimir violentamente manifestações populares pacíficas, ato que conduziu à formação de grupos rebeldes decididos em lutar contra as forças de segurança, bem como à criação de milícias e, mais tarde, a uma guerra civil.

De acordo com os mais recentes dados enviados pelas agências do ACNUR na região, cerca de metade dos refugiados são crianças, cuja maioria tem menos de 11 anos de idade.

A escalada de violência - com algumas zonas controladas por rebeldes, que também dominam a franja norte que faz fronteira com a Turquia -, e a deterioração dos serviços básicos e o colapso da economia aceleraram o êxodo sobretudo nos últimos dois meses.

Entre o universo de um milhão de refugiados - registados ou aos quais o organismo da ONU presta ajuda como tal -, 400.000 têm esse 'estatuto' apenas desde 1 de janeiro, revelou o ACNUR.

Perante os dados, o Alto-comissário para os Refugiados, António Guterres, recordou que é preciso ter em conta os «milhões de deslocados internos e as milhares de pessoas que continuam a atravessar as fronteiras todos os dias» para que se possa ter uma noção mais aproximada do real drama que vivem os sírios.

«A Síria está a caminhar para um desastre de grande escala», afirmou.

Guterres disse ainda que tanto a sua agência como outras que atuam em prol das vítimas de violência na Síria «fazem tudo o que podem». Contudo, a capacidade de resposta humanitária tem os seus limites, sobretudo considerando que as contribuições recebidas representam apenas 25% do financiamento necessário.

Nesse âmbito, o ACNUR agradeceu ainda a generosidade dos países que apoiam, com as fronteiras abertas, a entrada em massa de cidadãos sírios: Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e, em menor escala, Egito e outras nações do norte de África.

Os refugiados chegam - a um ritmo de dez mil por dia no total e a distintos países - exaustos, traumatizados e, regra geral, com a roupa do corpo, pois tiveram de deixar tudo para trás.

Nessas circunstâncias são acolhidos de formas diferenciadas, segundo o país no qual ingressam: às vezes encontram alojamento e a hospitalidade por parte dos residentes, outras vezes, ficam em acampamentos ou contentores.

Neste âmbito, António Guterres chamou a atenção para o forte impacto que a situação na Síria está a ter nos países de acolhimento mais afetados - como o Líbano, onde a chegada de refugiados sírios - 330.000 - se traduziu num aumento em 10% da sua população.

Na Jordânia, com quase 317.000, todos os serviços básicos - água, assistência médica e educação - estão a ser alvo de uma forte pressão. Já a Turquia gastou 600 milhões de dólares na construção e manutenção de 17 acampamentos de refugiados, que acolhem 185.000 pessoas.

No Iraque, aos 105.000 refugiados sírios somam-se os seus próprios deslocados (mais de um milhão) fruto da violência no país, ao passo que no Egito foram contabilizados 43.500 refugiados e em outros países do norte de África superam já os 8.000, indicou o ACNUR.

António Guterres anunciou que vai viajar nos próximos dias para visitar as operações do organismo que dirige na Turquia, Jordânia e Líbano.

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