Internacional

Primeiro-ministro francês acusa extrema-direita de instrumentalizar o ataque

Bernard Cazeneuve lembra que, no passado, a Frente Nacional votou contra leis que visavam reforçar a luta contra o terrorismo. François Fillon também não escapou às críticas.

O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, respondeu às críticas da candidata da extrema-direita às presidenciais, Marine Le Pen, acusando-a de instrumentalizar o atentado de quinta-feira em Paris para "alimentar o medo".

Le Pen procura "instrumentalizar para dividir, alimentar o medo e a emoção, sem vergonha e com fins exclusivamente políticos", disse Cazeneuve numa declaração à imprensa na sede do governo.

A candidata da extrema-direita às presidenciais, cuja primeira volta se realiza no domingo, comentou esta sexta-feira o ataque de quinta-feira acusando os sucessivos governos de não combaterem eficazmente o terrorismo.

Na sua declaração, o primeiro-ministro socialista recordou que o partido de Le Pen, a Frente Nacional, em 2014 votou contra uma lei antiterrorista e em 2015 contra uma lei para reforçar os recursos dos serviços de informações.

"Ela parece estar a esquecer deliberadamente tudo o que foi feito em cinco anos para que as pessoas se esqueçam que ela estava contra tudo, sem sequer propor nada sério ou credível", disse.

Cazeneuve também criticou o candidato da direita, François Fillon, acusando-o de, enquanto primeiro-ministro (2007 -2012) ter suprimido efetivos policiais que hoje se revelam necessários para garantir a segurança dos franceses.

"Ele [Fillon] recomenda a criação de 10.000 postos de trabalho na polícia. Como acreditar nisso, num candidato que enquanto primeiro-ministro suprimiu 13.000 postos nas forças de segurança interna?", questionou.

Na quinta-feira à noite, um homem disparou com uma arma automática contra um veículo da polícia na avenida dos Campos Elísios, matando um agente e ferindo outros dois. O atacante, alegadamente um islâmico radicalizado, foi morto no local.

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