
Sana / Reuters
A Turquia, envolvida militarmente no norte da Síria, congratulou-se com o acordo de tréguas conseguido pelos Estados Unidos e Rússia. No terreno, nem toda a oposição síria está entusiasmada.
A Turquia acolhe "com satisfação" o acordo sobre "uma trégua na Síria", que permitirá "encaminhar mais facilmente uma ajuda humanitária", afirmou em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Washington e Moscovo, que apoiam campos adversos e em confronto na Síria, anunciaram uma trégua que deverá ser iniciada na segunda-feira, o primeiro dia do Aid el-Adha, a grande festa muçulmana que ocorre após a peregrinação a Meca.
O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, "seguiu de perto" as negociações para a aplicação do cessar-fogo, precisou o ministério.
Erdogan revelou na quarta-feira que conversou com o Presidente norte-americano, Barack Obama, sobre a questão síria, à margem da cimeira do G20 na China.
A Turquia pretende prosseguir os esforços para que "em Alepo, como em todas as regiões da Síria, as pessoas tenham menos problemas, vivam uma paz duradoura, sem confrontos", e espera que seja encontrada "uma solução política para o conflito", segundo o comunicado.
O texto do ministério precisa que Ancara iniciou os "preparativos para que seja encaminhada para Alepo ajuda humanitária", numa referência à grande cidade do norte da Síria onde a situação humanitária é muito preocupante.
Oposição síria divide-se entre a expectativa e a descrença
Parte da oposição síria diz esperar que o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para um cessar-fogo marque "o início do fim da tortura dos civis" no país devastado por cinco anos de guerra.
Num comunicado, Bassma Kodmani, membro do Alto Comité das Negociações (ACN), que reúne os principais representantes da oposição e da rebelião sírias, congratulou-se com o acordo, mas questionou-se sobre o que acontecerá se Moscovo não fizer pressão sobre o regime de Bashar al-Assad para o forçar a respeitar as tréguas. "Estamos na expectativa", adiantou a responsável.
Já os rebeldes do Exército Livre da Síria (ELS) não estão muito crentes. Dizem que são poucas as chances que a Rússia cumpra de facto o acordo.
Fares al-Bayoush, líder do ELS, lembra que os russos e o exército do regime sírio não cumpriram o acordo anterior e afirma que as as hipóteses que este cessar-fogo venha a ser observado são as mesmas que nessa altura.
Um conflito com imensas vítimas
O conflito na Síria, iniciado na primavera de 2011, já provocou mais de 290.000 mortos e milhões de refugiados e deslocados, segundo diversos organismos internacionais.
Moscovo, aliado do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e Washington, que apoia uma fação da rebelião, procuram relançar um plano de paz adotado no final de 2015 pela comunidade internacional e que inclui um cessar-fogo duradouro, ajuda humanitária consistente e um processo de transição política entre o regime e a oposição moderada.
O acordo entre as duas potências surge após as forças armadas turcas terem desencadeado em 24 de agosto a ofensiva militar "Escudo do Eufrates", dirigida em simultâneo contra os 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico e as milícias curdas locais.