Internacional

Temer pede suspensão do inquérito até que gravação seja verificada

Numa declaração ao país, o presidente do Brasil acusou o empresário Joesley Batista de ter divulgado uma gravação manipulada e adulterada" e de estar a ganhar dinheiro com a crise política.

O Presidente brasileiro, Michel Temer, anunciou este sábado que vai pedir a suspensão do inquérito de corrupção passiva de que é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF) até que seja confirmada a autenticidade de uma gravação que alegadamente o compromete.

"Estamos entrando com petição no STF para suspender o inquérito até que seja verificada a autenticidade da gravação clandestina", afirmou o chefe de Estado brasileiro, numa declaração ao país.

Em causa está uma gravação de uma conversa entre o empresário Joesley Batista, da empresa JBS, e o Presidente sobre o alegado pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha.

Nessa conversa, segundo os áudios divulgados, o Presidente terá recomendado ao empresário "manter" o pagamento de uma verba regular àquele dirigente do seu partido, que está acusado de vários crimes de corrupção.

A imprensa brasileira noticiou este sábado que as autoridades verificaram que houve "edição no áudio" da conversa que foi incluída nos autos, uma questão que Michel Temer quer ver clarificada.

Para o chefe de Estado, a gravação "foi manipulada e adulterada com objetivos claramente subterrâneos" e foi "incluída no inquérito [judicial] sem a devida e adequada investigação".

Na declaração aos jornalistas, sem direito a perguntas, o Presidente brasileiro disse que a divulgação da gravação "induziu pessoas ao engano" e "trouxe grave crise ao Brasil", contestando a decisão da justiça brasileira de negociar com a administração da JBS um acordo de "delação premiada" (troca de informações comprometedoras em relação a terceiros por uma redução de pena] muito favorável para a empresa.

"O autor do grampo [gravação] está livre e solto, passeando pelas ruas de Nova Iorque", acusou o Presidente brasileiro, numa referência ao empresário.

Temer acrescentou que o Brasil vive agora "dias de incerteza" e Joesley Batista "não passou um dia na cadeia, não foi preso, não foi julgado e não foi punido". Com "essa gravação manipulada", o empresário "cometeu o crime perfeito" e ganhou dinheiro com a crise política, afirmou.

Num discurso dirigido contra o empresário, Michel Temer acusou Joesley Batista de ter comprado mil milhões de dólares dias antes de a gravação ter sido divulgada porque "sabia que isso causaria o caos no câmbio", com a desvalorização abrupta do real. "A JBS lucrou milhões e milhões de dólares em menos de 24 horas", disse o Presidente, que reafirmou a sua inocência no processo.

"Estamos acabando com os velhos tempos das facilidades aos oportunistas", mas "há quem me queira tirar do Governo para voltar aos tempos em que faziam o que queriam sem prestar contas a ninguém", salientou Temer.

Nesta declaração, o presidente do Brasil volta a afirmar que não se demite.

* Nota do Editor: Notícia atualizada às 19h40

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