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A União Europeia vai ficar atenta na aplicação do acordo sobre o regresso dos migrantes, advertiram hoje os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus de visita a Istambul.
A delegação liderada pelo chefe da diplomacia holandês, Bert Koenders, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE, visitou a metrópole turca uma semana depois de a Grécia ter começado a reencaminhar para a Turquia migrantes chegados ao seu território.
No âmbito de um acordo com a UE, a Turquia comprometeu-se a aceitar o regresso de todos os migrantes entrados ilegalmente na Grécia desde 20 de março.
O plano prevê também que por cada refugiado sírio enviado para a Turquia, outro será "reinstalado" num país europeu, até ao limite de 72.000 lugares.
O acordo foi, todavia, condenado por organizações de defesa dos direitos humanos, segundo as quais a Turquia não é um país seguro para os refugiados. Essas organizações temem, além disso, que os migrantes não tenham realmente o direito de pedir asilo antes de serem deportados.
Numa reunião com o seu homólogo turco, Mevlut Cavusoglu, o ministro dos Negócios Estrangeiro holandês sublinhou "a importância do direito humanitário e dos tratados internacionais", segundo um comunicado do Governo holandês.
"As autoridades turcas subscrevem estes princípios, o que é da maior importância. Vamos manter-nos atentos a isso", acrescentou Koenders.
O ministro dos Negócios Estrangeiros holandês reuniu-se também com responsáveis do Alto-Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e da Amnistia Internacional.
O ACNUR expressou esta semana dúvidas quanto à regularidade da situação de reencaminhamento para a Turquia de 13 migrantes chegados à Grécia que desejavam asilo. Por sua vez, a Amnistia Internacional acusou as autoridades turcas de obrigar ilegalmente refugiados sírios a regressar ao seu país, devastado pela guerra.
"As acusações de abuso devem ser tratadas com precaução e a Comissão Europeia deve poder analisá-las antes de serem retiradas quaisquer conclusões", declarou Koenders, que estava acompanhado de ministros e secretários de Estado de Portugal, França, Itália, Eslováquia e Malta.
"Vamos pôr fim ao tráfico de seres humanos, vamos impedir as pessoas de arriscarem a vida no mar e estamos a criar uma forma segura e justa de permitir aos refugiados virem para a Europa", afirmou.