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Correr em Montanha: Trail Running

O acto de correr/caminhar está no nosso cérebro primário de mamíferos/primatas recolectores. Fazê-lo num ambiente natural de montanha e/ou imbuído numa floresta é como voltar às nossas origens.

No mundo ocidental em que vivemos, na "pressa dos dias", instalaram-se um conjunto de problemas de saúde (física/mental) transversais à nossa sociedade. Este estado débil de saúde pública é consequência de um estilo de vida sedentário e de uma dieta alimentar hipercalórica, com a ingestão exagerada de alimentos processados em detrimento dos produtos frescos.

Pensamos que são este dois factores que contribuíram para a mudança de estilo de vida das pessoas a que temos assistido aos longo destes anos:. um despertar para um estilo de vida referenciado à prática de actividade física (desportiva) regular e uma maior consideração em relação à dieta, em especial à nossa dieta mediterrânica ou de base vegetariana.

Consideramos também que existem três fenómenos sociais/comportamentais que contribuíram para a vulgarização da prática desportiva nos hábitos das pessoas, especialmente da corrida/trail running: 1) a austeridade económica que Portugal atravessou que nos fez repensar as nossa vidas em todas as suas dimensões; 2) o aumento dos números de excesso de peso e obesidade em Portugal em todas as fases etárias, bem como das doenças cancerígenas, diabetes e AVC; 3) a "moda da corrida" que, de repente, veio para ficar; podemos mesmo dizer que se massificou em todos os extractos da sociedade. Porque é "fashion" correr, é um desporto fácil de operacionalizar e as marcas desportivas, alguns media e a sociedade souberam acompanhar o seu desenvolvimento.

O Trail Running/Correr em Montanha é claramente um dos maiores responsáveis pela mudança de estilo e qualidade de vida das pessoas: + activo, + slim, + verde = saúde & longevidade.

Neste contexto social e desportivo, pensamos que é importante preservar a essência do Trail Running/Correr em Montanha como movimento da sociedade civil em que a vertente competitiva é secundária, perante a vivência natural, a superação individual e a socialização.

Para concluir, compreendemos que é importante alicerçar esta prática desportiva a critérios de segurança na organização de eventos (provas) bem como a cuidados de saúde que salvaguardem as pessoas.

Importante é vir daí e "calcar trilho e pisar a sombra que o corpo faz na terra", como dizia o poeta telúrico Miguel Torga.

paulopires_apt, www.beapt.pt

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