Opinião

E o Futuro a passar-nos ao lado

A chamada quarta revolução industrial está a aterrar em força nas nossas vidas, movida pela inteligência artificial, pela robótica e pela manufatura aditiva (impressão 3D). O seu impacto será profundamente disruptivo na forma como vivemos, como trabalhamos e como nos relacionamos.

Como em todos os momentos históricos de grandes transformações, são mais as dúvidas do que as certezas sobre o que aí vem. Mas não será arriscado prever que neste novo tempo nascerão notáveis oportunidades para se gerar riqueza, bem-estar e qualidade de vida à escala global. As janelas que se abrem, por exemplo, ao nível do aumento da produtividade ou do avanço na engenharia genética permitem-nos pensar em mais tempo "de qualidade" para nós próprios ou em tratamentos de doenças impensáveis até há uns meses atrás.

Mas não devemos ignorar a outra face da moeda. Há riscos para que nos deveríamos estar a preparar. Identifico essencialmente dois grandes desafios. A inevitável depreciação do fator trabalho, com impacto no mundo laboral, no emprego e na distribuição de riqueza, podendo ser fonte de desigualdades e exclusão social. E a potencial ameaça para a segurança e privacidade dos dados que, sem medidas preventivas, nos poderá conduzir a um mundo crescentemente perigoso.

Perante a dimensão das ameaças e das oportunidades em jogo, estranho a situação política nacional em que o debate se esgota na "espuma dos dias" passando ao lado de propostas e caminhos para o futuro. O Governo define-se pelas habilidades com que vai contornando as sucessivas adversidades e a oposição parece continuar a fugir da preparação de soluções alternativas consistentes e convincentes. Deixo dois exemplos concretos onde esse debate se mostra urgente: a reforma do sistema de ensino, trazendo-o para o século XXI e a criação de esquemas alternativos de redistribuição, em que o "rendimento básico universal" se poderá inserir. Em próximos artigos, voltarei a estes temas.

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