Opinião

Grande malaio, grande remédio

Um dia depois da mais pesquisada marca do futebol mundial ter arrebatado o troféu que lhe faltava no museu individual, também o presidente da FIFA e o treinador do Arsenal se divertiram com o 7. Não com Cristiano Ronaldo, claro, mas meramente com o algarismo.

Gianni Infantino ratificou o alargamento do Mundial de 2026 para 48 seleções, ou seja, na prática consentiu que a FIFA descesse até à sétima divisão para encontrar mais finalistas para o Campeonato do Mundo e consequentemente mais parceiros para o negócio. Daqui a nove anos poderemos deparar com um Portugal-Malásia numa fase de grupos qualquer, sendo escusado pensar nessa altura que a atribuição do prémio Puskas em Zurique a um craque do Penang (ou será do Pahang?...) chegou antes do tempo.

Arsène Wenger, lendário caçador de talentos, foi incapaz de descobrir Faiz Subri (assim se chama o autor do melhor golo de 2016) mas não perdeu tempo a convencer o não menos promissor Cohen Bramall, jovem lateral que caiu no radar depois de ter trocado literalmente a camisola da Bentley pelas malhas de uma loja de roupa sem expressão galáctica.

Como é óbvio, para convencer Wenger, Bramall, nos tempos livres consentidos pelos seus 20 anos, teve de fazer mais do que arregaçar as mangas. Aproveitou-se do pé esquerdo e do equipamento do Hednesford Town, equipa de "ponta" do... sétimo escalão inglês. A vida dos "irmãos" Faiz e Cohen oferece-nos então esta bela lição de otimismo, sobretudo útil para um homem com as responsabilidades de José Fontelas Gomes. Se hoje, a partir das 14h30, na Cidade do Futebol, o presidente do Conselho de Arbitragem for confrontado com críticas à falta de qualidade de quem apita, recomendo que faça como muitos dirigentes, ou seja, olhe sempre para baixo e encontre na sétima divisão dos árbitros um novo e quem sabe inesgotável campo de recrutamento.

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