
Amnistia Internacional
Direitos Reservados
Portugal voltou a ser referido no relatório da Amnistia Internacional (AI) devido à violência contra as mulheres e aos alegados maus-tratos da polícia. Luís Silva, da AI, alertou para os poucos progressos registados em matéria de direitos humanos.
A violência contra as mulheres e os alegados maus-tratos da polícia voltaram a colocar Portugal no relatório de 2008 da Amnistia Internacional divulgado esta quarta-feira, 60 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O documento afirma que, em Portugal, «as alegações de maus-tratos por parte da polícia e subsequente impunidade dos envolvidos persistiram durante o ano de 2007», bem como os actos de violência contra as mulheres.
De acordo com o relatório, que cita números governamentais, 39 mulheres foram mortas pelos maridos ou companheiros durante o ano de 2006.
A organização internacional destaca também a investigação do Ministério Público sobre as alegadas escalas em Portugal de aviões da CIA usados na transferência ilegal de suspeitos entre países e defende que os Estados Unidos deviam encerrar o campo de detenção de Guantánamo e os centros de detenção secretos.
Ouvido pela TSF, o porta-voz da Amnistia Internacional em Lisboa frisou que, «num universo de 150 países», foram identificados 81 que continuam a usar a tortura ou a maltratar pessoas.
«São números que nos preocupam e que nos levam a pensar que, passado mais de meio século, ainda houve poucas mudanças significativas», acrescentou Luís Silva.
No relatório, a organização desafia ainda os líderes mundiais a pedirem desculpa e a assumirem novos compromissos.