António Costa diz que não tem qualquer comentário a fazer aos excertos de escutas telefónicas entre dirigentes do PS que foram revelados, sexta-feira à noite, pela SIC.
A estação de Carnaxide revelou novos excertos de escutas telefónicas entre Ferro Rodrigues, António Costa e Paulo Pedroso que terão estado na origem da ordem de prisão preventiva decretada pelo juiz Rui Teixeira.
Trata-se de uma série de telefonemas que o Ministério Público entendeu como «tentativa de perturbação do inquérito». Os excertos das conversas reveladas pela SIC referem-se ao dia da detenção de Paulo Pedroso.
Numa transcrição de uma escuta realizada na manhã de dia 21 de Maio, António Costa diz a Paulo Pedroso: «Já fiz o contacto. Vou falar imediatamente com o procurador, o (João) Guerra. O único receio que tenho é que a coisa já esteja na mão do juiz. Talvez seja altura do teu irmão procurar o Guerra».
Mais tarde, o irmão de Paulo Pedroso diz-lhe que João Guerra está «incontactável», ao que o deputado do PS responde: «o procurador-geral disse ao António que achava que já tinha ido tudo para o Tribunal de Instrução Criminal» (TIC).
Pouco antes da conferência de imprensa de Paulo Pedroso, na Assembleia da República, numa conversa entre Ferro Rodrigues e Jorge Coelho, o secretário-geral do PS afirma que «o almoço não serve para nada».
A SIC afirma que Ferro se referia a um almoço entre Jorge Sampaio e o Procurador-Geral da República.
Já no final da tarde, quando Pedroso estava a ser ouvido no TIC, António Costa conta a Ferro Rodrigues que já está a chegar a casa do Júdice (bastonário da Ordem dos Advogados) e garante que sabe existir uma testemunha que não é fiável.
Numa outra conversa, o secretário-geral do PS diz: «estou-me cagando para o segredo de justiça».