O PS admitiu ter aprendido a «lição da derrota» do referendo sobre o aborto de 1998 e por isso promete empenhar-se na campanha para a consulta de 11 de Fevereiro. O porta-voz socialista Vitalino Canas espera uma maior mobilização para este referendo.
O PS diz ter aprendido a «lição da derrota» no referendo sobre o aborto em 1998 e por isso os socialistas prometem empenhar-se a fundo na campanha para a consulta popular sobre este assunto marcada para 11 de Fevereiro.
O porta-voz socialista espera que a mobilização para este referendo seja maior do que a que ocorreu em 1998, onde havia uma «grande confiança na vitória do "sim", e lembrou que todos agora têm maior consciência do risco.
«Desta vez, iremos fazer uma mobilização máxima no sentido de suscitar e pedir às pessoas que não se abstenham. Não estamos a tratar de uma questão dos outros, estamos a tratar de uma questão de sociedade que afecta a todos, de uma questão de modernidade e de justiça», explicou Vitalino Canas.
No final de uma reunião da Comissão Política do PS, onde foi definida a estratégia para a campanha para o referendo, Vitalino Canas explicou que os principais argumentos a favor do "sim" são a necessidade da modernização da legislação existente e a necessidade de impedir abortos clandestinos.
Perante presidentes de câmaras socialistas e primeiros vereadores do partido pertencentes a autarquias em que o PS foi derrotado, este porta-voz pediu ainda contenção no discurso, apelando a uma «campanha baseada em argumentos de ciência e racionais e não em argumentos de moral e de ética».
Vitalino Canas considerou ainda que «processar mulheres - e eventualmente condená-las a penas de prisão - não deve ser a solução» em relação a este problema e frisou que o PS, ao longo da sua campanha, «não se pronunciará sobre a actuação de outras entidades», incluindo a Igreja Católica.
Sobre o facto de haver mais movimentos a favor do "não" em relação aos que defendem o "sim", o porta-voz do PS considerou que este grande número de grupos contra a despenalização do aborto nas primeiras 10 semanas de gravidez «poderá contribuir para a dispersão da mensagem».
O secretário-geral do PS esteve também presente nesta reunião da Comissão Política, contudo, José Sócrates não fez qualquer intervenção.