O CDP-PP sugeriu que José Sócrates demita o ministro da Economia, por ter dito que os baixos salários tornam Portugal mais competitivo, uma afirmação criticada por toda a oposição. Em resposta, o PS defende que as declarações de Manuel Pinho estão a ser empoladas.
O CDS-PP sugeriu, esta quinta-feira, que o primeiro-ministro pode ter de demitir o ministro da Economia, depois de Manuel Pinho ter afirmado que os baixos salários praticados em Portugal tornam o país mais atractivo para os investimentos estrangeiros.
Num debate político na Assembleia da República, toda a oposição se mostrou unida não só contra estas declarações de Manuel Pinho, proferidas num fórum económico na China, mas também em protesto às replicas do titular da Economia, ao dizer que os sindicatos são uma «força de atraso» e que os partidos da oposição está de «má fé».
«Será que não vamos estar numa situação em que o senhor primeiro-ministro, quando chegar a Portugal, terá de dizer obviamente demito-o?», questionou o deputado do CDS-PP Diogo Feio, deixando sem resposta a sua própria pergunta.
Diogo Feio considerou ainda «necessário maior sentido de Estado» nas visitas do Governo a outros países, como à Índia e à China, expondo as suas dúvidas de «que estas visitas consigam resistir ao ministro da Economia».
Também o PCP, que pretende chamar ao Parlamento o titular da pasta da Economia para esclarecer as suas declarações, considerou que Manuel Pinho «perdeu uma oportunidade para valorizar e modernizar o sistema produtivo» nacional na China.
O deputado comunista Jorge Machado comparou ainda o ministro da Economia «a um esquimó a vender cubos de gelo em pleno pólo Norte», tendo em conta que a China tem custos salariais muito mais baixos que Portugal.
O deputado do PSD Miguel Frasquilho também considerou as declarações em causa «profundamente infelizes» e um «cartão de visita terceiro-mundista». «O nosso modelo de desenvolvimento não pode ser esse», rematou.
A defesa de Manuel Pinho, pela bancada do PS, veio do vice-presidente da bancada Afonso Candal, ao dizer que Pinho «defendeu os mais altos interesses portugueses no estrangeiro» e considerou esta polémica «um fait-divers jornalístico e mediático».