António Mexia vai ser o novo presidente do conselho de administração da EDP. O anúncio foi feito esta quinta-feira, numa altura em que se soube, também que a Iberdrola, para já, não vai fazer parte do conselho superior da EDP. Entretanto, o BES adquiriu uma posição de 1,84 por cento do capital da eléctrica.
António Mexia, por escolha dos accionistas privados, vai ser o novo presidente do conselho de administração da EDP - Energias de Portugal e António Almeida, por escolha do Governo, vai presidir ao conselho superior da empresa, anunciou esta quinta-feira o ministro da Economia e da Inovação.
No conselho superior vão ter presença todos os accionistas com mais de dois por cento do capital da eléctrica portuguesa excepto a Iberdrola.
Apesar de ter 5,7 por cento da EDP, a eléctrica espanhola fez saber que para já abdica do direito de estar nos órgãos sociais da congénere portuguesa.
O ministro da Economia português adiantou que, entre as razões que levaram a esta decisão, estão os movimentos de consolidação em Espanha, nomeadamente a tentativa da Gas Natural de comprar a Endesa, um negócio que pode passar pela venda de activos à Iberdrola, mas também a criação do MIBEL.
Caso a Iberdrola mude de opinião, o ministro da Economia, Manuel Pinho, garante que os interesses estratégicos da EDP ficam salvaguardados.
«Está solidamente ancorado de forma a não permitir conflitos de interesses porque tal seria prejudicial para a vida da empresa. Nesse sentido, é aconselhável que a Iberdrola não esteja representada nem na comissão executiva, nenhum accionista está, tão pouco no conselho superior».
Ainda assim, o ministro da Economia avisa que Portugal não pode querer o melhor de dois mundos. «Não podemos à segunda-feira fazer um apelo ao investimento estrangeiro e à terça-feira afastar os investidores estrangeiros que apostaram no nosso pais. O que nós precisamos é de investimento», disse.
Também esta quinta-feira o Banco Espírito Santo anunciou a aquisição de uma posição de 1,84 por cento no capital da EDP, através de operações de bolsa, aumentando para 2,17 por cento a sua posição na eléctrica portuguesa.
Com esta compra, o banco liderado por Ricardo Salgado vai também reforçar o núcleo de accionistas nacionais da EDP.
O ministro da Economia não quis comentar esta aquisição.
Novo modelo de gestão decidido pelos privados
O novo modelo de gestão da EDP foi imposto pelos accionistas privados, liderados por Paulo Teixeira Pinto, presidente do Millenium BCP.
Este modelo prevê a constituição de um conselho de administração exclusivamente profissional e independente dos accionistas, em que os accionistas têm assento com funções de supervisão e acompanhamento da administração sem, no entanto, intervenção activa e executiva.
Esta alteração implicou a saída de alguns accionistas, nomeadamente, o Millenium BCP, Brisa e Caixa geral de Depósitos, que passam a ter assento no conselho superior.