O responsável pela unidade de transplantação de medula óssea da IPO defendeu, esta quinta-feira, que a criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical é «apenas uma moda» e dinheiro mal empregue, porque não tráz benefícios significativos.
O responsável pela unidade de transplantação de medula óssea do Instituto Português de Oncologia (IPO) considerou, esta quinta-feira, que não vale a pena gastar mais de mil euros na criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical.
«Se tivesse um filho agora pegava nos 1200 euros comprava certificados de aforro e quando ele tivesse 18 anos dava-lhos. Acho que ele ficava muito mais satisfeito do que se tivesse o cordão umbilical», disse Manuel Abecassis.
O médico explicou que a «probabilidade de utilização» das células estaminais é tão pequena que a relação custo-beneficio é claramente desfavorável a este tipo de procedimentos», e considerou mesmo que o facto de muitos pais pagarem pela sua conservação é apenas uma «moda».
Manuel Abecassis acusou ainda as empresas privadas responsáveis pela recolha de sangue do cordão umbilical de não informarem correctamente os pais, dizendo que a criopreservação de células estaminais é «um seguro de vida» para os filhos e que pode servir para curar muitos tipos de doença.
Em contrapartida, o director da unidade de transplantes de medula óssea do IPO defendeu a criação de um banco público de sangue do cordão umbilical, que serviria todos os que deles precisem e não só os dadores, afirmando que «faz falta».
«Temos conseguido com regularidade sangue umbilical de outros países» pelo que «é possível que existindo amostras da população portuguesa», elas sejam «geneticamente mais favoráveis», explicou.
O médico adiantou que «em Portugal já foram recolhidas milhares de amostras deste tipo de sangue», sendo que em «apenas em três casos houve utilização pelo próprio», para situações que «poderiam ter sido resolvidas com outras técnicas».
Estas declarações foram feitas no 3º Congresso Português de Medicina da Reprodução, onde também participou o presidente da Sociedade Portuguesa da Medicina de Reprodução, que discordou da posição de Manuel Abecassis.
João Silva Carvalho aproveitou ainda para dizer que os casos de infertilidade estão a aumentar, devido a vários factores, como o «aumento das doenças de transmissão sexual», o estilo de vida actual ou à alimentação errada, sendo que «está a ser difícil lidar com tudo isso».