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Bagão Félix apoia Fernando Medina na corrida à Câmara de Lisboa

Entrevistado na TSF e Diário de Notícias, o democrata cristão elogia a candidatura de Assunção Cristas, mas defende que o socialista Fernando Medina tem feito um bom trabalho que deve continuar.

"Não sei quais vão ser os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, mas à partida simpatizo com a ideia de continuar Fernando Medina, que tem sido um bom presidente. É um jovem político, e toda a gente comete erros, mas é uma pessoa ativa, que em meu entender está a fazer uma boa gestão na câmara de Lisboa", considera o antigo ministro das Finanças no governo de Santana Lopes, que resultou de um entendimento entre o PSD e o CDS-PP.

Questionado sobre o apoio a um socialista, quando o CDS tem uma candidata à autarquia lisboeta, Bagão Félix esclarece que "não está em causa Assunção Cristas, mas para votar numa autarquia voto em pessoas. Por acaso o Fernando Medina é do Partido Socialista, podia não ser. Acho que tem feito um bom trabalho".

Num olhar sobre a atualidade o antigo ministro falou também sobre o Novo Banco. Para Bagão Félix, nem venda nem nacionalização nem liquidação. O democrata cristão entende que nenhuma das soluções em cima da mesa servem os interesses do Estado e defende que a instituição permaneça nas mãos do Fundo de Resolução mais algum tempo.

"Tudo considerado, o que é preferível? Continuar mais algum tempo com uma boa gestão profissional com o capital possuído pelo Fundo de Resolução, que também é uma entidade pública. Implica negociar um prolongamento do prazo com a Comissão Europeia. A nacionalização não faz sentido porque o banco está indiretamente nacionalizado através do Fundo de Resolução para o qual o Estado injetou grande parte da verba e que faz parte do perímetro orçamental", afirma.

No âmbito da atualidade partidária, Bagão Félix admira a capacidade de resistência de Passos Coelho, mas diz que o antigo chefe de governo terá dificuldades acrescidas para vencer as próximas eleições legislativas.

"É um trabalho penoso, difícil. Quer se queira quer não, ele está associado às medidas de austeridade mais gravosas e impopulares. Tudo depende da conjuntura política, económica e social nos próximos anos. Reconheço-lhe uma grande bravura, coragem, teimosia, e obstinação em continuar. Apesar de tudo isso é positivo num país em que quase se perde, se sai. Ele não saiu e está nesse direito, mas tem esse handicap, esse anátema de estar ligado a estas medidas e seria inteligente ele procurar, tanto quanto possível, desligar-se dessas medidas, mas não é fácil", considera.

Bagão Félix, que para além da pasta das Finanças já assumiu também a do Trabalho e Segurança Social, considera que o governo foi imprudente na negociação do corte na Taxa Social Única. O antigo ministro considera que o governo, conhecendo a posição do Bloco de Esquerda e do PCP, deveria ter negociado com o PSD para garantir a viabilidade do acordo alcançado na concertação social.

"O governo foi imprudente. Não tratou da concertação política, e até sabia de antemão que os partidos que são seus companheiros na coligação que o sustenta se oporiam à medida. Nesse sentido, deveria ter iniciado conversações com o PSD, que era o único partido que pela abstenção faria aprovar esta medida, e isso não aconteceu", critica.

Bagão Félix adivinha dificuldades para o governo num futuro próximo e considera que terminado o período das reversões, "está esgotado o programa da reversibilidade da austeridade. A partir de agora, aparentemente, as políticas são mais de divergência do que de convergência entre o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda, porque as medidas têm a ver não com a redistribuição mas com a criação de riqueza".

Bagão Félix é o convidado desta semana na entrevista TSF/Diário de Notícias, para escutar na íntegra neste domingo depois das notícias das 12h00.

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