Política

BE e PCP querem avanços no OE2018. Costa diz que palavras são "muito positivas"

Primeiro-ministro diz que "é possível fazer avanços" e que partidos trabalham "em conjunto" para um "bom Orçamento". Medidas "não vão ser fechadas individualmente", garante António Costa.

O Governo tem insistido que não pode dar um "passo maior do que a perna" no Orçamento do Estado para o próximo ano, mas, à esquerda, BE e PCP pedem passos em frente e passos mais apressados.

António Costa sublinha que, nesse caminho, é preciso não esquecer um "progresso sustentável", mas garante que olha para as reivindicações e palavras de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa de uma forma positiva.

"Muito positivas. É um trabalho que temos feito em conjunto, como temos sempre feito, demonstrando que é possível fazer avanços", disse o primeiro-ministro, que esteve reunido, esta quarta-feira, com os deputados do grupo parlamentar do Partido Socialista, para discutir com os deputados algumas matérias relacionadas com a elaboração do Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) - que terá de ser entregue até ao dia 15 de outubro.

Questionado pelos jornalistas sobre que tipo de avanços podem ser esperados, António Costa adianta que o OE2018 será de "continuidade", garantindo que o objetivo continua a passar pela "reposição do rendimento das famílias", pela "criação de mais condições de investimento" e por "mais e melhor emprego".

Quanto a temas como o alargamento dos escalões de IRS ou o descongelamento de carreiras na função publica, António Costa diz que são mesmo para avançar, mas não abre o jogo e admite que as negociações à esquerda vão muito além destas matérias.

"O Orçamento não se esgota nestas duas medidas, há várias outras medidas que teremos e nas quais estamos a trabalhar em conjunto para, tal como fizemos em 2016 e 2017, termos um bom Orçamento", afirmou.

Nesse sentido, acrescentou que "não vale a pena estarmos a falar de medidas isoladas, porque as medidas só valem no seu conjunto", dando ainda conta de que "quando for possível juntar as diferenças peças que compõem o Orçamento, então poderemos estabelecer qual foi o ponto ótimo de satisfação das diferentes pretensões".

António Costa já tinha estado no parlamento, na semana passada, junto da direção da bancada do PS, num encontro que também serviu de preparação para a negociação do Orçamento do Estado para o próximo ano.

"Temos vontade de reforçar o investimento na área da cultura, da educação, da saúde e da ciência. Portanto, é um Orçamento de progresso em 2018, mas terá de ser sempre um Orçamento de progresso sustentável, porque não podemos correr o risco de dar um passo maior do que a perna", afirmou, no final dessa reunião.

Em relação a esta última declaração, Catarina Martins, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu que "o discurso sobre os passos maiores do que a perna, ou as restrições, às vezes esconde um que é sobre as escolhas".

Já o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, adiantou que os comunistas estão empenhados em "estimular as pernas" do Governo "para que possam continuar a dar passos em frente".

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