Política

Carlos César e Luís Montenegro longe de consensos

Horas depois do Presidente da República ter assumido funções, com um claro apelo a que sejam criados caminhos de diálogo e entendimento entre as diferentes forças políticas, os líderes parlamentares dos dois maiores partidos demonstram, na TSF, que esse é um horizonte longínquo.

Apesar dos apelos de um Presidente em estreia, Carlos César e Luís Montenegro perdem-se na retórica que tem marcado o discurso de PS e PSD nos últimos meses.

O líder parlamentar do PSD lembra que os sociais-democratas estão no parlamento numa posição "insólita", de serem "simultaneamente o maior grupo parlamentar do parlamento, e o maior grupo parlamentar da oposição", algo que o PSD "não esquece".

Carlos César diz esperar que nesta legislatura, respondendo ao apelo do Presidente, "seja possível acrescentar ao apoio às atuais políticas a influência e a boa colaboração de partidos como o PSD".

Na resposta, Luís Montenegro diz que "esta candura do discurso do PS, apelando ao consenso e à recuperação do PSD, não cola". O líder da bancada laranja pede que se acabe com a dissimulação, e lembra "a opção de fundo do PS, que decidiu coligar-se com o Bloco de Esquerda e com o PSD", e que o "programa do BE e do PCP não é conciliável com o do PSD".

Sobre o debate orçamental, que chega ao fim nos próximos dias, Carlos César afirma que a posição do PSD, de não apresentar propostas de alteração ao diploma do Governo, é "uma demonstração viva e factual de que o PSD não está disponível para partilha o que quer que seja na vida política", e acrescenta que "o PSD demitiu-se do seu próprio país".

Luís Montenegro recusa essa ideia, afirmando que o PSD "não apresentou propostas de alteração para que o PS possa ser efetivamente responsabilizado pelas opções que está a tomar".

São 40 minutos de debate sem sombra de entendimento, com Carlos César e Luís Montenegro firmes em lados opostos da barricada política. Horas depois dos primeiros apelos de Marcelo Rebelo de Sousa, já em funções, PS e PSD permanecem onde têm estado nos últimos largos meses.

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