Política

Glifosato divide PCP e BE

Comunistas votaram com PSD e CDS contra um diploma do BE para proibir uso de glifosato em zonas urbanas. BE diz-se "surpreendido com mudança de voto" até "contra prática de autarquias do PCP".

O desconforto entre o BE e o PCP foi visível depois da votação que ditou o chumbo do diploma bloquista com o decisivo voto contra dos comunistas.

O PCP juntou o voto contra aos do CDS e do PSD para chumbar o projeto de lei do BE, que proibia o uso do herbicida glifosato em espaços urbanos. Ao lado do Bloco, PS, PEV e PAN votaram favoravelmente.

Ainda antes da votação, o BE distribuiu o texto de uma recomendação ao governo, que tinha merecido a abstenção do PCP, e onde se propunha a proibição do uso generalizado do glifosato. Desta vez, estava em causa proibir apenas a utilização "em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação".

Foi, por isso, com estranheza que o Bloco reagiu ao voto contra do PCP.

"Ficámos surpreendidos com a votação. Por um lado a direita tinha tido uma posição mais avançada no Parlamento Europeu e o Partido Comunista mudou de posição, tinha-se abstido numa resolução anteriormente apresentada pelo BE e agora votou contra, indo inclusivamente, contra a prática de algumas câmaras municipais comunistas que já estão a retirar o glifosato do espaço urbano", sublinhou Jorge Costa do BE.

Minutos antes, também em declarações aos jornalistas, o deputado comunista, João Ramos, tinha justificado o voto com a necessidade de "haver estudos sobre a matéria que justifiquem a decisão política".

"Os resultados conhecidos são aparentemente contraditórios, mas o que nos dizem é que utilizados, em determinadas quantidades, aqueles produtos (herbicidas com glifosato) podem provocar problemas na saúde humana, mas utilizado em quantidade moderada não provocarão", defendeu João Ramos, do PCP.

Ao longo do debate, BE, PEV e PAN defenderam a necessidade de proteger a saúde pública com a proibição do glifosato, e, por outro, o PSD e o CDS-PP alertaram para as dúvidas que resultam de estudos contraditórios, e para o custo para as autarquias desta proibição.

Na bancada do PS, o deputado e académico Alexandre Quintanilha alertou para a necessidade de "mais estudos", sublinhando que "não é só do lado económico que existem fortes lóbis".

O ministro da Agricultura repetiu que o Governo está a preparar legislação visando retirar o glifosato de espaços urbanos e de áreas próximas de lares ou escolas, manifestou a disponibilidade para realizar um estudo acerca dos efeitos do glifosato.

Capoulas Santos sublinhou que, se na reunião de amanhã dos peritos da Comissão Europeia "não houver maioria qualificada, a comissão não tenciona aprovar a proposta"e isso implica que "o uso do glifosato acabará por ficar interdito na União Europeia, a partir de 30 de junho", disse o ministro.

O PCP apresentou, entretanto, uma recomendação ao Governo para que sejam adotadas medidas para controlar os filofármacos e sua aplicação sustentável, nomeadamente através da criação de uma comissão multidisciplinar para acompanhar esta área.

Este diploma vai ser votado na sexta-feira.

  COMENTÁRIOS