Política

Governo "não se mete no dia-a-dia da Caixa"

Questionado sobre o encerramento de balcões da CGD, o primeiro-ministro diz que o Governo "não se vai substituir à administração" do banco público. Costa garante a presença em "todos os concelhos".

"O plano de reestruturação da CGD garante a presença da Caixa em todo o país, em todos os concelhos. Mas, o Estado ser acionista da Caixa não significa que o Governo se deva meter na vida do dia-a-dia da CGD", defendeu António Costa em declarações aos jornalistas.

O primeiro-ministro sublinha que o banco público dever ter uma "gestão profissional".

"Temos uma administração que deve exercer as suas funções com independência, com autonomia - e o Governo tem toda a confiança na Caixa para assegurar a boa gestão".

Apesar das críticas dos partidos que apoiam o Governo, do PSD e do recado hoje deixado pelo líder parlamentar do PS, sobre o encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos, o primeiro-ministro diz que o Governo responderá às dúvidas dos partidos mas "não se lhe pode pedir" que coloque em causa a liberdade de gestão.

"O Governo cá estará para responder a todas as perguntas. Agora, há uma coisa que o Governo não fará: não se substituirá à administração da Caixa na gestão do dia-a-dia, porque a CGD, embora sendo pública, não deixa de ser uma empresa", avisou o primeiro-ministro.

António Costa considera que o executivo cumpriu a missão que lhe competia ao assegurar a aprovação do processo de capitalização "de forma a existir uma Caixa 100 por cento pública e com o capital necessário para desenvolver a sua atividade fundamental, que é a de ser um estabilizador do sistema bancário, a garantia de poupança das famílias portuguesas e um instrumento do serviço da economia".

Para explicar os limites da intervenção do Governo, António Costa citou o exemplo da RTP:

"Seria aceitável se o Governo se substituísse no dia-a-dia à gestão da RTP sobre a programação ou sobre qual a agenda de cada um dos seus jornalistas? Se tal acontecesse, o Governo não estaria a cumprir a sua função e a RTP não faria sentido ser uma empresa, nem ter uma administração. O mesmo se passa em relação à CGD", disse.

O plano de reestruturação da CGD prevê o encerramento de cerca de 70 balcões até ao final do ano, numa redução total de 180, no final de 2020.

Governo atento ao Montepio

Questionado pelos jornalistas, António Costa disse ainda que "o Ministério do Trabalho, está a adotar as medidas necessárias para assegurar a estabilidade quer da associação mutualista do Montepio, quer do banco".

O primeiro-ministro falou aos jornalistas no final de uma reunião, em Lisboa, com representantes de várias ordens profissionais.

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