Política

"Revelação das quintas-feiras é fundamental para compreender tempo complexo"

Cavaco Silva diz que livro é "uma prestação de contas". Braga da Cruz que apresentou a obra garante que "não é ajuste de contas, nem contra ninguém". PSD compareceu em peso. PS ausente.

Aplaudido à chegada ao Centro Cultural de Belém, onde celebrou duas vitórias presidenciais, Cavaco Silva justificou o livro como "uma prestação de contas", sem o qual "ficava incompleto o conhecimento de tempo bastante complexo" que disse ter vivido nos anos da Presidência.

Cavaco Silva diz querer informar os portugueses, sobre a forma como desenvolveu "uma interação com o Governo, em particular nas reuniões semanais de quinta-feira" com os primeiros-ministros.

"Considero que a revelação dessas quintas-feiras é fundamental para compreender o tempo complexo e algo conturbado da política nacional nos dez anos em que exerci as funções de Presidente da República. Se eu omitisse esta parte estava a deixar de forma muito incompleta a prestação de contas aos portugueses", justificou Cavaco Silva.

O antigo chefe de Estado considera que essa interação "é a via mais eficaz" que um Presidente dispõe "para influenciar o processo político de decisão".

"Trata-se de fornecer aos portugueses informação detalhada para que possam fazer um juízo esclarecido e objetivo da forma como procurei defender o superior interesse nacional no âmbito das minhas competências constitucionais", explicou o antigo Presidente.

Na curta intervenção, Cavaco Silva deixou vários agradecimentos, em particular, à mulher Maria Cavaco Silva "sem ela este livro não existia", sublinhou o antigo Presidente. Mas deixou ainda "a profunda gratidão" para com o povo português, que lhe deu o "privilégio" de representar e defender Portugal.

Livro "não é um ajuste de contas"

Antes, coube ao antigo reitor da Universidade Católica Manuel Braga da Cruz apresentar o livro "Quinta-feira e outros dias", onde sublinhou que a obra "não é um ajuste de contas" e nem é escrita "contra ninguém".

Braga da Cruz sublinhou que Cavaco Silva não começou a sua carreira política "nas juventudes partidárias ou nas distritais" mas em cargos ministeriais, com Sá Carneiro a ir "buscá-lo à Universidade".

"A sua presidência não foi um polo de oposição mas um foco de cooperação institucional", defendeu Braga da Cruz sublinhando que Cavaco Silva ajudou "longe dos holofotes da comunicação social" os Governos com quem conviveu, alertou para a crise, tentou entendimentos entre executivo e oposição e "impediu investimentos ruinosos" como o novo aeroporto da Ota, o TGV ou a terceira travessia sobre o rio Tejo.

Na sala Almada Negreiros do Centro Cultural de Belém, não se vislumbraram rostos socialistas, mas o anterior executivo teve uma presença de peso: além dos líderes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Assunção Cristas, marcaram ainda presença, Maria Luís Albuquerque, António Pires de Lima e Marques Guedes

Na primeira fila, estiveram ainda o antigo Presidente da República Ramalho Eanes, e a mulher, e pela sala, viram-se antigos ministros de Cavaco Silva, como Leonor Beleza, João de Deus Pinheiro, Couto dos Santos ou Teresa Patrício Gouveia.

Manuela Ferreira Leite, Fernando Negrão, Teresa Leal Coelho, Teresa Morais, Bagão Félix também estiveram presentes.

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