Política

O que andou Cavaco Silva a ver na TV

Entre as revelações mais pessoais do livro "Quinta-feira e outros dias", o antigo Presidente diz ter um "interesse muito limitado" na TV. Artigos de opinião lidos eram "raros".

Cavaco Silva nunca viu um debate na TV, prefere a série britânica "Downton Abbey" e os casos de "Poirot".

É o que se pode ler no capítulo em que o antigo Presidente descreve como consumia informação e entretenimento.

"Não me recordo de ter assistido a um único debate televisivo e os dedos da mão devem ser suficientes para enumerar as entrevistas políticas que me capturaram a atenção", escreve Cavaco Silva.

O antigo Presidente da República admite que tem um "interesse muito limitado" pela televisão.

Conta que ele e a mulher preferiam assistir a séries britânicas como "Downton Abbey", "Sherlock Holmes", "Poirot", "Miss Marple". O mais próximo que passou de conteúdo mais político foi a série dinamarquesa "Borgen", sobre uma primeira-ministra escandinava.

Da relação com jornais, Cavaco Silva conta que, pela manhã, a caminho do Palácio de Belém, lia "dois matutinos", aos quais dava "uma rápida vista de olhos durante a viagem". Ao almoço, o então Presidente lia os diários, "marcados a verde" pela assessoria, com o sublinhado de que "eram muito raros os artigos de opinião que mereciam a minha leitura".

Cavaco faz questão de dizer que raramente lia notícias sobre a sua atividade como PR: "Era uma perda de tempo". Duas vezes por dia, consultava a agência Lusa, que considerava a "fonte de informação mais correta e isenta sobre o que se passava no país".

O antigo Presidente da República admite que "sempre teve com a comunicação social, relações diferentes do que que é comum nos políticos". Cavaco Silva critica "a promiscuidade entre certos políticos e jornalistas, de que às vezes me davam conta".

"A informação de que jornalistas tinham os números dos telefones pessoais de membros do governo, a quem ligavam com frequência, e de que membros do governo telefonavam diretamente a jornalistas (...) era algo que chocava diretamente com a minha maneira de entender o exercício de cargos políticos", escreve o antigo chefe de Estado e de governo.

No livro "Quinta-feira e outros dias", apresentado ontem, quinta-feira, Cavaco Silva diz que "não se deixou conduzir pela espuma dos dias, nem pela trepidação do quotidiano".

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