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PS, PCP, BE, PSD e CDS prometem fazer algo para diminuir peso das mochilas

Chega ao parlamento uma das maiores petições de sempre. Todos estão de acordo: é preciso fazer alguma coisa para que as crianças não andem tão carregadas a caminho da escola. Só falta definir o quê.

Cerca de 50 mil assinaturas chegam esta sexta-feira ao Parlamento. A petição partiu de um ator, uma jornalista, dois médicos, mas também das associações de pais e de quatro sociedades médicas. A ideia é limitar o peso das mochilas às costas das crianças, uma iniciativa aplaudida pelos cinco maiores partidos com lugar na Assembleia da República.

Em declarações à TSF, os representantes de PS, PCP, BE, PSD e CDS para a área da educação admitem que o problema existe, vários até já o sentiram como pais, e é preciso fazer alguma coisa. A dificuldade e as divergências estão no caminho que os deputados devem seguir daqui para a frente.

Pelo PS, o deputado que coordena o Grupo Parlamentar na Comissão de Educação admite que "o problema é real e que é importante em termos de saúde e bem-estar". Sem se comprometer com medidas concretas, Porfírio Silva apenas acrescenta que agora o importante é perceber o melhor caminho para resolver a questão que só pelo número de assinaturas se revela ser relevante.

Do lado do PCP, Ana Mesquita também reconhece que as mochilas são um problema, mas é preciso avaliar primeiro, bem, aquilo que se pode fazer. Razão que leva os comunistas a proporem um grupo de trabalho que reúna vários ministérios e que permita aos deputados legislarem depois com um conhecimento "profundo da realidade".

Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, está igualmente preocupada, admite que pode ser uma boa ideia criar um grupo de trabalho, mas parece-lhe claro que é preciso digitalizar os livros, enfrentar as editoras que fazem vários livros para uma disciplina e colocar cacifos nas escolas, algo que lamenta que tenha de chegar ao ponto de ser legislado pelo Parlamento.

À direita, o PSD também diz que o problema está identificado. O coordenador do Grupo Parlamentar na Comissão de Educação, Amadeu Albergaria, aposta na digitalização dos livros e numa lei que seja de facto possível de aplicar nas escolas.

Pelo CDS, Ana Rita Bessa promete que o partido também vai fazer algo para aliviar o "peso desmesurado" que os alunos levam às costas, mas sublinha que fazer uma lei pode não ser a melhor solução. Os centristas argumentam que o problema das mochilas pesadas depende de muitos fatores como os hábitos ou organização das escolas e da forma como o professores dão atualmente as aulas, algo que não se muda por decreto.

As mudanças pedidas pela petição

A petição, subscrita pelas sociedades de Medicina Física e de Reabilitação, Neuropediatria, Ortopedia e Traumatologia e Patologia da Coluna Vertebral, avança com várias medidas concretas que deveriam estar numa nova legislação a aprovar na Assembleia da República.

Nomeadamente uma lei que limite o peso das mochilas a 10% do peso corporal das crianças, tal como sugerido por associações científicas europeias e americanas; mas também a obrigatoriedade de as escolas pesarem as mochilas das crianças semanalmente com uma balança em cada sala de aula.

Finalmente, as escolas deverão ter cacifos e os alunos deveriam poder optar por manuais em suporte digital, sendo que as editoras também estariam limitadas no tipo de papel (mais pesado) que usam nos livros que devem ser, igualmente, muito sintéticos.

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