Política

Ricardo Salgado recorda "Um grande Português"

Assim se chama o artigo que assina no Jornal de Negócios, onde se despede e no qual homenageia "um bom amigo".

"Faleceu um grande português. Um entre os maiores políticos do séc. XX e XXI a quem o país fica muito a dever". É com estas palavras que Ricardo Salgado inicia o texto de opinião, publicado esta segunda-feira.

O antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) destaca a amizade que o uniu ao antigo Presidente da República, a quem não poupa nos elogios, ao escrever que se tratava de "um homem de grande coragem, enfrentou perseguições, prisões, deportações no período do antigo regime", referindo-se ao percurso de Mário Soares no período antes do 25 de Abril.

Já em liberdade, diz Salgado, "foi também com enorme coragem que percorreu o período da democratização e do PREC até à consolidação da democracia em Portugal".

A descolonização, o combate ao comunismo e o apoio dos Estados Unidos foram as etapas que se seguiram e que merecem, também, a homenagem na visão de Ricardo Salgado, que recorda, ainda, que "foi pela mão de Mário Soares que Portugal aderiu à CEE, também devido às suas excelentes relações com personalidades como Mitterrand, Willy Brandt e Olof Palme".

Referindo-se depois à situação do Grupo Espírito Santo (GES), Ricardo Salgado não esquece que Soares "teve a lucidez de chamar os empresários espoliados em 1975, entre eles o GES, o que contribuiu para um período de entrada de capitais sem precedentes que conjugava os fundos europeus aliados aos capitais destinados às reprivatizações. Isso permitiu reconstruir a economia do país".

Sobre o desmantelamento do GES, Ricardo Salgado revela que Mário Soares "chocou-se com a nova destruição do GES, agora por um PREC de direita, de políticos despreparados e sem a visão de Estado que sempre o caracterizou".

Quando esteve em prisão domiciliário, o antigo presidente do BES recebeu a visita do ex-Chefe de Estado. Não se referindo em concreto a este gesto, Salgado não deixa no entanto de lembrar que Soares "foi sempre um homem solidário, principalmente nos momentos difíceis dos seus amigos. Fui verdadeiramente seu amigo. Sinto-me reconhecido e agradecido pela amizade dedicada por si e por Maria de Jesus Barroso à minha família mais direta, e a mim, especialmente no período subsequente à desgraça que ocorreu a 3 de Agosto de 2014".

Por tudo isto, conclui Ricardo Salgado que se sente "triste porque perdi um bom Amigo".

  COMENTÁRIOS