Portugal

João Carlos Silva discorda de privatização de um dos canais da RTP

À TSF, este antigo presidente da RTP, entende que a televisão pública não é um «serviço supérfluo» e que cortar neste serviço é equivalente a cortar na Educação.

João Carlos Silva, presidente da RTP entre 2000 e 2002, discorda da decisão de privatização de um dos canais públicos de televisão, uma vez que nada o justifica do ponto de vista de vista do saneamento das contas públicas.

«Se vamos cortar na televisão estamos no mesmo plano de cortar na Educação, em cortar turmas e deixar de dar ensino aos meninos. Não estamos a falar de um serviço supérfluo», explicou, numa reacção às intenções de Passos Coelho para com a RTP.

Ouvido pela TSF, este antigo responsável da RTP e ex-secretário de Estado do Orçamento, «não estamos falar de um custo desproporcionado», pois «é um serviço que do ponto de vista do custo/benefício é absolutamente inquestionável».

«Não me parece que o Governo ou o Estado consigam obter benefícios de natureza economico-financeira com o encerramento de uma televisão», sublinhou.

Por esta razão, João Carlos Silva entende que a «privatização da televisão pública não é uma medida no âmbito do saneamento económico-financeiro do país, mas é uma medida inserida dentro de uma linha política liberal».

Este ex-responsável da RTP considera ainda que a oferta pública de televisão tem de ser «abrangente e generalista, prestando serviço para públicos residuais», o que não pode ser feito apenas por um canal.

«Se não quiser ver certo tipo de programas que são dados em simultâneo pelas duas televisões privadas, que estão em concorrência pura e plena, tenho de ter uma alternativa dentro de um tipo de gosto que seja generalista. Não preciso de ser um intelectual esquisito para ter direito a um serviço alternativo às telenovelas», lembrou.

  COMENTÁRIOS