relatório

Menos de 10% dos portugueses confiam nos partidos políticos

A crise continuar a fortalecer a desconfiança em relação à classe política e aos órgãos do Estado. É o que revela o último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

O relatório anual da OCDE (Government at a glance), que retrata a evolução e eficácia dos Estados, revela que a crise económica afetou fortemente a confiança que as pessoas têm na maioria dos governos nos países desenvolvidos.

Portugal foi, aliás, um dos locais onde essa confiança mais caiu desde 2007.

Os técnicos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) dizem que os números devem ser olhados com cuidado: são muito afetados pela conjuntura e por tendências, algumas culturais.

De qualquer forma, em 2012, pouco mais de 20% dos portugueses dizia confiar no governo. Na prática, perto de metade daqueles que davam idêntica resposta em 2007.

O relatório sublinha que a crise e as soluções, medidas de austeridade, aplicadas pelos diferentes Estados, afetaram a confiança que as pessoas têm em relação aos Estados e aos governos.

A queda foi significativa e a OCDE sublinha que as expectativas das pessoas são cada vez mais difíceis de satisfazer numa época em que os recursos são escassos, complicando as reformas que quem manda pretende pôr em marcha.

Neste relatório, Portugal destaca-se ainda por menos de 10% das pessoas afirmar ter confiança nos partidos.

Tal como na esperança no trabalho do Governo, neste ponto estamos ao lado de vários dos países mais afetados pela crise, como a Espanha, Grécia e Eslovénia.

Mas não é só o governo e os partidos que ficam mal na fotografia. Também os tribunais recebem um voto de confiança de pouco de mais de 20% dos portugueses.

Um resultado a que não será estranha a demora da justiça. Em Portugal um processo na primeira instância demora, em média, mais de 400 dias. O segundo tempo mais elevado entre os países da OCDE.

Apesar da pouca confiança nos políticos, no Governo e nos tribunais, este relatório da OCDE revela que são muito mais os portugueses (50%) que confiam nas instituições financeiras como os bancos.

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