Banca

Mira Amaral: PM teve intervenção direta para evitar rutura com o BIC

O presidente do banco BIC Portugal afirmou que só foi possível acordar a compra do BPN após duas intervenções diretas do primeiro-ministro nas negociações, ambas em novembro passado, para evitar a liquidação.

Mira Amaral falava na comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN), em que contou em detalhe todos os passos dado pelo banco BIC Portugal desde que foi convidado em abril de 2011 a estudar uma proposta de compra direta do banco nacionalizado.

Perante os deputados da comissão de inquérito, Mira Amaral disse que o atual Governo, em setembro passado, por sugestão de um gabinete de advogados, alterou as condições de compra acordadas dois meses antes (em julho), o que fez com que a 21 de novembro, ele Mira Amaral tenha decidido «fechar a loja» - atitude de rutura que seria depois confirmada pelo próprio presidente do banco BIC, Fernando Teles.

Nesse dia, segundo contou Mira Amaral, a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, pediu-lhe a ele e a Fernando Teles «completo sigilo», tendo em vista preparar a comunicação de rutura das negociações com o banco BIC e, consequentemente, a liquidação do BPN, com 1700 trabalhadores.

A 23 de novembro, porém, o primeiro-ministro telefonou a Mira Amaral para o convidar para uma primeira reunião em São Bento, da qual não saiu qualquer acordo.

Entre outros pontos de divergência, estava em causa a recusa do Governo em aceitar que os 1700 trabalhadores do BPN, que tinham um contrato coletivo, passassem ao regime laboral de acordo de empresa do banco BIC.

A 28 de novembro, numa segunda e última reunião com Pedro Passos Coelho - já com a presença do presidente do banco BIC, Fernando Teles, que veio de Angola de propósito, e do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar - já houve acordo.

«Fui eu que indiquei a via possível para resolver a questão dos trabalhadores, usando a minha experiência como antigo ministro do Trabalho. Os sindicatos compreenderam o que estava em causa e aceitaram pacificamente a mudança [para as normas do acordo de empresa do BIC]», disse Mira Amaral.

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