Portugal

Presidente não quer mais austeridade para os «novos pobres»

Cavaco Silva entende que há «um conjunto de pessoas, a que chamamos agora os novos pobres», a quem «é impossível impor mais austeridade». O Presidente da República considera ainda que essas pessoas «são aquelas que são mais atingidas por medidas, não tendo, às vezes, em conta a especificidade de cada grupo». Cavaco conclui: «é preciso olhar às pessoas».

O Presidente da República, questionado sobre se é nos pensionistas que pensa quando diz que há sectores da sociedade para quem os limites dos sacrifícios podem já ter sido atingidos, diz que pensa neles, «mas também nos micro empresários, nas famílias que sofreram reduções abruptas do rendimento e que têm dificuldade em manter os filhos nas escolas ou nas creches e nas famílias endividadas». E acrescenta que «é um pensamento generalizado, que é impossível impor mais austeridade a grupos como aqueles que referi».

Cavaco Silva, numa entrevista à TSF, mostra-se bastante optimista sobre a capacidade de Portugal cumprir o acordo com a troika, mas reconhece que ninguém pode garantir que isso será suficiente para regressar aos mercados financeiros. De qualquer forma, garante o Presidente, «não será preciso novo resgaste», porque estando cumprido o acordo a Europa já disse que haveria linhas de crédito.

A desalavancagem dos bancos (rácio entre os créditos e os depósitos) poderá vir a ser suavizada. A falta de liquidez dos bancos, leva o Presidente da República que acredita «no bom senso dos técnicos do FMI e da Comunicação Europeia», tal como acredita que «o governo português está bem consciente em relação àquilo que deve apresentar, que deve solicitar às instâncias internacionais, tendo presente a alteração de pressupostos, sendo que alguns dizem respeito à economia dos outros países e não à economia portuguesa».

O Presidente da República, citando uma ex-ministra espanhola, considera que «a influência excessiva das agências de rating reflecte cobardia política dos líderes europeus» e acrescenta que se surpreende por ver «27 líderes europeus deixarem-se chantagear por três agências norte-americanas». Nesta matéria, Cavaco Silva diz que «é preciso regulamentação que garanta transparência», considerando que «é preciso saber quem são os sócios dessas agências e ver se não há interesse no desgaste da zona Euro». Na análise que faz aos líderes europeus, o Presidente admite que «há má moeda entre esses líderes».

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