25 abril

Aguiar Branco cita Lenine para defender revisão constitucional

O social-democrata Aguiar Branco provocou risos na AR ao citar Lenine para defender a revisão constitucional a propósito das comemorações do 25 de Abril.

Na sessão solene das comemorações do 36ª aniversário do 25 de Abril, na Assembleia da República (AR), Aguiar Branco, a discursar em nome do PSD, citou o líder da revolução bolchevique Lenine, provocando risos na ala da esquerda, para insistir na necessidade da revisão constitucional.

«Lenine escreveu um dia estas palavras: 'Uma organização morre quando os de baixo não querem e os de cima já não podem'. Senhor Presidente da República os de cima estão quase a não poder», afirmou Aguiar Branco.

Uma afirmação feita pelo social-democrata para sublinhar que a revisão constitucional «é uma oportunidade para os partidos do eixo constitucional recentrarem o texto fundador do Estado».

«Mais do que nunca temos que o normalizar, depurá-lo de velhos vícios de pensamento, eliminar os preconceitos ideológicos. Não se trata de acabar com o Estado social, este é que se arrisca a ser inviável se nada fizermos. Não se trata de eliminar a autoridade do Estado, este é que se arrisca a deixar de a ter se nada fizer. Não se trata de acabar com a igualdade de oportunidades, ela é que pode ter os dias contados se nada se fizer», disse.

Neste discurso contra o Estado reaccionário e pelo poder do povo, o deputado do PSD Aguiar-Branco citou também Rosa Luxemburgo e Sérgio Godinho.

Escolhido para falar em nome do PSD na sessão solene de hoje, o ex-líder parlamentar social democrata José Pedro Aguiar-Branco subiu à tribuna de cravo vermelho ao peito e começou por citar a filósofa e economista marxista Rosa Luxemburgo.

«Liberdade apenas para os membros do Governo e para os membros do partido não é liberdade de todo», citou Aguiar Branco.

«Quase cem anos volvidos, que frase tão actual, tão cheia de verdade», considerou.

Em seguida, o ex-ministro da Justiça sustentou que, 36 anos depois do 25 de Abril, a política portuguesa continua mergulhada «em preconceitos ideológicos», que se revelam nas palavras e atitudes.

«A ala esquerda desta Assembleia parece recear a afirmação do sentido de nação, a ala direita parece temer o sentido do uso do cravo vermelho», apontou, causando os primeiros risos e comentários no hemiciclo.

Na assistência, e ao contrário da maioria da bancada social democrata, o novo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, exibia também um cravo vermelho na lapela, assim como o antigo presidente do partido Marcelo Rebelo de Sousa.

Aguiar-Branco defendeu que o cravo não é propriedade de nenhum partido, que a revolução de Abril foi feita para todos e lamentou que o «revanchismo» tivesse chegado à música, perguntando se não pode quem se senta na ala direita gostar de Zeca Afonso.

Citando depois o apelo «dai ao povo o poder de produzir», de Sérgio Godinho, o deputado do PSD defendeu que «este Estado, senhor Presidente da República, é reacionário, profundamente reacionário» porque se substitui à «iniciativa privada ou social».

A revisão constitucional defendida pela nova direção do PSD «é uma oportunidade» para cumprir Abril eliminando «velhos vícios de pensamento».

«Vamos dar ao povo o poder de produzir, de escolher e de decidir», concluiu Aguiar-Branco.

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